Dificuldade em Segurar Preços
Com o preço do barril de petróleo ultrapassando a marca de US$ 100, as refinarias privadas brasileiras enfrentam dificuldades para manter os preços dos derivados de petróleo estáveis. A Refina Brasil, associação que representa essas empresas, informou à CNN Money que é “muito difícil” absorver o aumento sem comprometer o caixa. Cerca de 25% a 30% do petróleo refinado pelas associadas é importado, e a dependência de fontes como Estados Unidos e Arábia Saudita, países afetados por conflitos, agrava a situação.
Impacto da Geopolítica nos Custos
A maior parte do petróleo importado pelas refinarias privadas vem dos Estados Unidos e da Arábia Saudita, que estão no centro de tensões geopolíticas. A suspensão da produção em refinarias no Oriente Médio e o redirecionamento de carregamentos de petróleo devido a ataques aumentam a volatilidade. Matheus Soares, diretor de Novos Negócios da Refina Brasil, explicou que a exposição a custos dolarizados torna desafiador evitar repasses no preço final dos combustíveis. O preço do petróleo representa aproximadamente 80% do custo final dos derivados, tornando qualquer oscilação um fator determinante para o ajuste de preço.
O Papel da Petrobras e a Defasagem de Preços
Enquanto as refinarias privadas alertam para possíveis aumentos, a Petrobras sinalizou que buscará evitar o repasse imediato da volatilidade do mercado internacional para o consumidor brasileiro. No entanto, essa política pode levar a um aumento da defasagem interna nos preços. Cálculos da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) apontam uma defasagem significativa no preço do diesel e da gasolina em relação aos valores internacionais. A Ipiranga, por sua vez, afirmou que acompanha o mercado e pode realizar ajustes comerciais, destacando que o preço final nos postos é definido pelos revendedores e que o custo do diesel, por exemplo, é influenciado pela importação de cerca de 30% do volume consumido no país.
Fatores Adicionais de Volatilidade
Além dos conflitos diretos e da produção afetada, outros fatores contribuem para a instabilidade dos preços. A queda na produção em regiões cruciais e o fechamento de estreitos marítimos importantes, como o de Ormuz, impactam a oferta global. Adicionalmente, o aumento nos custos de frete e seguro de navios que transportam o petróleo bruto também encarecem a cadeia de suprimentos. A Refina Brasil ressalta que, no elo de refino, os impactos já são sentidos, pois as cotações para aquisição de petróleo importado já precificam o risco associado a cenários de guerra.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


