Violência Letal Aumenta com Armas de Fogo
Um estudo alarmante divulgado pelo Instituto Sou da Paz, em celebração ao Dia da Mulher, aponta que armas de fogo foram utilizadas em 47% dos homicídios de mulheres no Brasil em 2024. A pesquisa, intitulada “Pela Vida das Mulheres: o Papel da Arma de Fogo na Violência de Gênero”, destaca a altíssima taxa de letalidade associada a esses crimes: apenas 1,3% das agressões com armas de fogo contra mulheres resultaram em casos não letais.
No estado de São Paulo, a letalidade de crimes de feminicídio tentados e consumados com uso de arma de fogo é impressionante, apresentando até 85% mais chances de morte para a vítima em comparação com agressões por outros meios. Essa disparidade sublinha a necessidade crítica de políticas de prevenção focadas no controle do acesso a armas de fogo.
Jovens e Mulheres Negras São as Mais Afetadas
O levantamento também revela um impacto significativo na faixa etária das vítimas. Mais da metade dos homicídios femininos, especificamente 68% dos casos, vitima mulheres entre 18 e 44 anos. Nos casos envolvendo armas de fogo, a faixa etária de 18 a 29 anos é a mais atingida. Além disso, o estudo aponta uma incidência maior de mortes de mulheres negras por homicídios com armas de fogo. A taxa de homicídios de mulheres negras com armas de fogo é de 2,04 por 100 mil habitantes, enquanto para mulheres não negras é de 0,93.
Feminicídios em Alta Ignoram Queda Geral de Homicídios
Enquanto o país observou uma queda de 15% nos homicídios masculinos entre 2020 e 2024, a redução nos homicídios femininos foi de apenas 5% no mesmo período. Pior ainda, o número de feminicídios aumentou em 10% nesse intervalo, indicando uma escalada preocupante da violência de gênero. Essa tendência contraditória reforça a urgência de medidas específicas para combater a violência contra a mulher.
Propostas para um Futuro Mais Seguro
Carolina, especialista citada no estudo, enfatiza que a prevenção eficaz deste cenário depende da implementação de uma rede de proteção robusta nos territórios. Isso inclui delegacias especializadas, centros de acolhimento, acesso facilitado a medidas protetivas e abrigos emergenciais. “O fortalecimento do controle de armas deve ser uma prioridade também no âmbito das políticas para mulheres”, conclui.
A apreensão cautelar de armas de pessoas acusadas de agressão é apontada como uma medida protetiva fundamental, capaz de reduzir drasticamente o risco de feminicídio. A pesquisa sublinha que o controle de armas não é apenas uma questão de segurança pública geral, mas uma ferramenta essencial na luta contra a violência de gênero.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


