Crise Interna e Externa no Irã
O cientista político André Lajst, residente em Tel Aviv, analisou o recente escalada de tensões entre Israel e Irã, destacando que os ataques iranianos têm sido limitados, descritos por ele como uma “chuva garoa de mísseis”. Lajst explica que essa estratégia visa preservar o arsenal e os locais de lançamento, ao mesmo tempo em que reflete uma fragilidade interna e externa do regime de Ali Khamenei.
“O regime no Irã está se corroendo por dentro há muitos anos, primeiro por questões econômicas. É uma inflação gigantesca que está fazendo com que milhares de pessoas protestem nas ruas”, afirmou Lajst. O descontentamento popular é agravado pelo direcionamento de bilhões de dólares para o financiamento de milícias como Houthis, Hezbollah e Hamas, em detrimento de investimentos na infraestrutura nacional.
Enfraquecimento do “Eixo da Resistência”
O Irã tem enfrentado um enfraquecimento significativo de sua rede de aliados regionais, o que compromete sua estratégia de projeção de poder. Lajst mencionou a perda de influência do Hezbollah no Líbano, o cessar-fogo em Gaza e a instabilidade do regime de Bashar Al-Assad na Síria como exemplos de reveses estratégicos.
“Sem o Hezbollah, sem o secretário-geral do Hezbollah, que ficou 32 anos no cargo, Hassan Nasrallah, e sem o governo de Bachar Al-Assad, o Irã se vê sozinho, praticamente”, observou o especialista. Essa perda de “escudos” regionais deixa o Irã mais exposto e vulnerável.
Impacto de uma Possível Eliminação de Khamenei
Lajst ponderou sobre a possibilidade de uma mudança de regime no Irã, indicando que um ataque direto e fatal contra Ali Khamenei poderia desencadear uma crise de sucessão interna. “No momento que ele eventualmente é eliminado, vai criar uma certa rusga interna onde um vai competir com o outro para ver quem vai mandar mais ou que caminho o regime deveria seguir em relação ao atual conflito”, analisou.
Contudo, ele ressaltou que figuras como Reza Pahlavi, embora com apoio da diáspora iraniana, enfrentam ceticismo interno, sendo considerados por alguns como “medrosos” e “covardes”, em referência ao legado de seu pai, que também liderou um regime ditatorial antes da Revolução Islâmica.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
