Um Design Promissor com Falhas Ocultas
O Volkswagen Karmann Ghia TC, produzido entre 1970 e 1976, foi um projeto ambicioso da Volkswagen para o mercado brasileiro. Com linhas que remetiam ao luxuoso Porsche 911, o TC buscava suceder o icônico Karmann Ghia pioneiro. Desenvolvido internamente pelos estilistas da VW e fabricado pela Karmann Ghia, o modelo trazia inovações sobre o antecessor, como maior espaço interno para até cinco passageiros e um porta-malas mais generoso. A plataforma utilizada era a da VW Variant e TL, e o habitáculo oferecia melhorias no conforto, eliminando a turbulência com os vidros abertos e o desconforto solar na nuca.
O Inimigo Invisível: A Ferrugem
Apesar do visual esportivo e das melhorias práticas, o grande calcanhar de Aquiles do Karmann Ghia TC era sua extrema suscetibilidade à ferrugem. Falhas de projeto, como as entradas de ar dianteiras que agiam como coletores de chuva, transformando as caixas de ar em reservatórios de água, e o tratamento inadequado das chapas metálicas, contribuíram para a rápida oxidação. Aros dos faróis e a moldura da janela traseira também eram pontos vulneráveis. Essa fragilidade diante da umidade, ironicamente retratada na foto de capa do manual do proprietário à beira-mar, foi um fator determinante para o encerramento precoce de sua produção.
Desempenho Aquém da Aparência
Enquanto o design era elogiado, o desempenho do Karmann Ghia TC não acompanhava a promessa visual. Equipado com o motor VW 1600 refrigerado a ar, o mesmo do antecessor, o modelo entregava apenas 65 cv. Isso resultava em uma aceleração lenta, com 0 a 100 km/h em cerca de 23 segundos, e uma velocidade máxima de apenas 142 km/h. Testes da época, como o da revista QUATRO RODAS em janeiro de 1971, destacavam que o carro não corria nem acelerava como sua aparência agressiva sugeria. Em contrapartida, o consumo de combustível era considerado econômico, e o câmbio de quatro marchas e a suspensão eram elogiados pela suavidade e conforto, respectivamente. Modificações como a adoção de pneus radiais aro 14 e o rebaixamento da suspensão eram comuns entre os proprietários que buscavam um apelo mais esportivo.
Um Legado Interrompido
As vulnerabilidades de projeto e o desempenho modesto impactaram as vendas, que não atingiram as expectativas da Volkswagen. Em 1976, a produção do Karmann Ghia TC foi encerrada. Nem ele, nem o VW SP2, lançado na mesma década, conseguiram preencher o vácuo deixado pela primeira geração do Karmann Ghia no mercado brasileiro. Apesar de sua curta vida e dos problemas com a corrosão, o TC permanece como um capítulo interessante na história da indústria automotiva nacional, um exemplo de design arrojado que, infelizmente, não resistiu ao tempo e às intempéries.
Fonte: quatrorodas.abril.com.br


