A Universidade de São Paulo (USP) lançou, nesta quinta-feira (22 de janeiro), quatro iniciativas estratégicas que prometem fortalecer a infraestrutura de pesquisa e inovação do Brasil. O evento, realizado no Espaço IRIS do Centro InovaUSP, reuniu representantes da indústria, do governo estadual e da academia, destacando o compromisso da instituição em liderar o desenvolvimento em áreas críticas para o futuro do país.
O reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior enfatizou a responsabilidade da USP em impulsionar investimentos em pesquisas estruturais. “A USP tem a obrigação de liderar investimentos em áreas de pesquisa estruturais, que possam garantir o desenvolvimento do Estado de São Paulo e do Brasil nos próximos anos e trazer benefícios à sociedade”, afirmou. Ele ressaltou que, além da pesquisa básica, a universidade está criando uma infraestrutura capaz de se aproximar das demandas atuais da sociedade.
Fábrica Modular de Semicondutores: A PocketFab
Uma das iniciativas de destaque é a construção da PocketFab, uma fábrica modular de semicondutores. Fruto de uma parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), a PocketFab será uma plataforma portátil e sustentável dedicada à pesquisa de fronteira e à prototipagem avançada de microprocessadores e dispositivos semicondutores.
Segundo Marcelo Zuffo, um dos idealizadores, “Não é uma fábrica convencional, ela é modularizada, compacta e reconfigurável, é uma mudança de paradigma de como se fabricar semicondutores.” O projeto, que ocupará cerca de 200 metros quadrados, visa criar condições inéditas no Brasil para o desenvolvimento ágil de arquiteturas RISC-V e sistemas críticos para aplicações em inteligência artificial, IoT, defesa, energia, saúde, automotivo e manufatura avançada. Ricardo Terra, diretor regional do Senai-SP, sublinhou a importância estratégica da PocketFab para a soberania nacional, protegendo indústrias e startups de riscos de pirataria e propriedade intelectual.
Jairu: O Supercomputador da Inteligência Artificial
Outro marco é a inauguração do Joint Artificial Intelligence Research Unit (Jairu), um supercomputador dedicado à inteligência artificial. Com um investimento de aproximadamente R$ 40 milhões, o Jairu é um cluster com 96 GPUs de tecnologia B200, considerado o maior supercomputador desse tipo na América Latina. Já instalado e em operação no InovaUSP, ele funcionará como um recurso de pesquisa multiusuário.
Fábio Cozman explicou que a ideia é que o equipamento fique à disposição de toda a comunidade acadêmica. “Centros de pesquisa com foco em inteligência artificial têm sido criados ao redor do mundo para congregar pesquisadores e para oferecer infraestrutura compartilhada,” disse. O Jairu será fundamental para o desenvolvimento de grandes modelos de linguagem, processamento e geração de textos, e sistemas de previsão baseados em grandes volumes de dados, como eventos climáticos extremos.
Núcleo de Excelência em Tecnologias Quânticas
A USP também anunciou a criação do Núcleo de Excelência em Ciências e Tecnologias Quânticas. Este núcleo tem como objetivo articular e impulsionar pesquisas em sensores quânticos, comunicação quântica e computação quântica. Reunindo laboratórios e pesquisadores de diversas unidades da universidade, a iniciativa busca consolidar a atuação da USP em um dos campos mais promissores da ciência contemporânea.
Ben-Hur Viana Borges afirmou que “a ideia é tornar a USP um hub de tecnologia quântica, conjugando competências, trabalhando na formação de profissionais capacitados, compartilhando conhecimento, desenvolvendo nossa própria tecnologia e fazendo com que os projetos prosperem.”
Ressonância Magnética de 7 Teslas para Diagnóstico Avançado
A quarta iniciativa é a aquisição de um tomógrafo de ressonância magnética de 7 teslas, que será instalado na Faculdade de Medicina (FM) e utilizado também pelo Hospital das Clínicas (HC). Esta plataforma de ultra alto campo representa um avanço significativo em pesquisa de ponta, inovação tecnológica e impacto assistencial, com ganhos expressivos em resolução de imagem e capacidade diagnóstica.
Segundo Cláudia da Costa Leite, “esse aparelho será capaz de detectar, por exemplo, lesões em pacientes epiléticos que antes estavam ocultas e indetectáveis e que poderão ser tratadas cirurgicamente, oferecendo uma qualidade de vida muito melhor aos pacientes.” Com apenas três aparelhos desse tipo no Hemisfério Sul, o da USP será o único com aplicação clínica, abrindo novas portas para o diagnóstico e o avanço de pesquisas em doenças degenerativas e estudos pré-clínicos.
Representando o governador Tarcísio de Freitas, o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Vahan Agopyan, elogiou a iniciativa, destacando a necessidade de o Brasil investir em ciência, tecnologia e inovação para se tornar mundialmente competitivo. Gilberto Kassab, secretário de Governo e Relações Institucionais, celebrou a ação integradora da USP, ressaltando o papel da universidade como protagonista nos melhores momentos da pesquisa brasileira.
Fonte: jornal.usp.br


