USP lança Edital 2026 da PRIP para impulsionar projetos de pesquisa e cultura de estudantes e docentes indígenas com até R$ 30 mil

USP lança Edital 2026 da PRIP para impulsionar projetos de pesquisa e cultura de estudantes e docentes indígenas com até R$ 30 mil

Iniciativa da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento busca ampliar a representatividade e a produção de conhecimento indígena na universidade, com inscrições abertas até 20 de julho.

A Universidade de São Paulo (USP), por meio de sua Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), publicou o Edital PRIP nº 02/2026, uma importante iniciativa que visa apoiar financeiramente projetos de cultura, extensão universitária, ensino e pesquisa. O edital é destinado especificamente a estudantes de graduação, mestrado, doutorado e docentes indígenas de qualquer área do conhecimento que fazem parte da comunidade USP. As inscrições estão abertas e podem ser realizadas até o dia 20 de julho, por meio de um formulário online.

Fomento e Visibilidade para a Comunidade Indígena

Com o objetivo de viabilizar o apoio financeiro, a iniciativa da PRIP, que ocorre desde 2023, busca dar visibilidade e oportunidade à comunidade indígena dentro da USP, independentemente da especialidade. O edital deste ano poderá contemplar até dez projetos, com um limite máximo de apoio de R$ 30.000,00 para cada proposta selecionada.

Renato Cymbalista, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design (FAU) e diretor de Direitos Humanos e Políticas de Memória, Justiça e Reparação da PRIP, ressalta a relevância do programa. “Quando a PRIP foi criada em 2022, ficou bastante clara a ausência de políticas específicas para a comunidade indígena. E o que nós podemos fazer é potencializar aqueles que já conseguiram romper a barreira e entrar na USP”, afirma Cymbalista.

Desafios e Avanços na Representatividade

Apesar da continuidade do edital, um desafio persistente é a baixa demanda em edições anteriores, que reflete a ainda pouca presença indígena na Universidade. De acordo com dados do Anuário Estatístico da USP, que reúne informações demográficas e acadêmicas, menos de 1% da comunidade universitária se autodeclara indígena. Esse cenário, segundo Cymbalista, evidencia a necessidade de políticas mais robustas para o acesso indígena, uma questão prioritária para a Pró-Reitoria de Graduação, que também possui um grupo de trabalho dedicado ao tema.

Um dos projetos já contemplados pela iniciativa foi o seminário “Presença e ausência indígena na USP”, proposto por Emerson Souza, com supervisão da professora Fernanda Mendonça Pitta, do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP. O resultado desse seminário foi a criação de um documento que fundamenta um grupo de trabalho da PRIP, focado na permanência indígena na Universidade.

Processo de Inscrição e Critérios de Seleção

Para se inscrever, docentes indígenas podem submeter projetos sob sua responsabilidade, atuando como proponentes e responsáveis institucionais. Estudantes de graduação ou pós-graduação, por sua vez, devem apresentar seus projetos sob a supervisão de um docente, sendo o estudante o proponente e o docente o responsável institucional.

As propostas passarão por uma comissão de verificação da qualificação de pessoa indígena do proponente, seguindo a definição deliberada pelo Conselho de Inclusão e Pertencimento em maio de 2023, acompanhada de documentação comprobatória. Candidatos que já foram aprovados em verificações anteriores da USP podem anexar o comprovante.

É importante destacar que os projetos não precisam, necessariamente, pesquisar temáticas indígenas. Os pesquisadores têm a liberdade de apresentar perspectivas inovadoras de construção de conhecimento em todas as áreas, e também podem solicitar recursos complementares para projetos já em andamento. Uma comissão de seleção e avaliação analisará os projetos com base na viabilidade de realização com os recursos disponíveis e no potencial de gerar impactos positivos e legados para a comunidade da USP e para a sociedade. A lista dos projetos selecionados será divulgada no dia 12 de agosto de 2026, na página da PRIP.

Fonte: jornal.usp.br

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