Fraude de ICMS em São Paulo, com rombo de R$3,8 bilhões, pode se espalhar pelo Brasil e atingir impostos federais, alerta promotor

Esquema criminoso que lesou R$3,8 bilhões em São Paulo pode ter alcance nacional

Uma fraude bilionária envolvendo a venda de créditos falsos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), desarticulada pela Operação Distrato em São Paulo, pode estar causando prejuízos em todo o Brasil. O alerta vem do promotor Alexandre Castilho, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que estima que o esquema, responsável por um rombo de R$3,8 bilhões, possa ter se repetido com impostos federais e se alastrado por outros estados.

Suspeita ganha força com relatos de outros estados

A suspeita de que a fraude não se limita a São Paulo se fortalece com o fato de que outros estados já entraram em contato com a Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP) para relatar a identificação de ações semelhantes em seus territórios. “Não descartamos que outros estados tenham prejuízos bilionários com essa fraude”, afirmou Castilho, que adiantou que as provas apreendidas serão compartilhadas com outras unidades da federação e com o Ministério Público Federal (MPF) para dar base a novas investigações e bloqueios de bens.

Modelo criminoso foi replicado e disputado por escritórios

O sucesso financeiro inicial do golpe levou à replicação do modelo criminoso em outras regiões do país. Segundo o promotor, a fraude foi criada por um grupo e subsequentemente copiada por outros, a ponto de escritórios de advocacia investigados chegarem a disputar clientes. O esquema era altamente lucrativo para os intermediários, que cobravam honorários de êxito de até 70% sobre o valor que as empresas deixavam de recolher aos cofres públicos, apresentando os créditos falsos como parte de um planejamento tributário legal.

Operação Distrato mira grandes escritórios e utiliza falsificações

A Operação Distrato cumpriu 38 mandados de busca e apreensão em cidades de São Paulo e do Paraná. A investigação já mapeou o envolvimento de 752 empresas. Um dos principais alvos é o grupo econômico ligado ao advogado Nelson Wilians, que teve seu escritório e uma residência no bairro dos Jardins, em São Paulo, vasculhados. No Paraná, a advogada Mayra de Paula, apontada como “sócia” de Wilians nas fraudes, também foi alvo. Os criminosos utilizavam falsificações, como despachos governamentais inventados e atores em videoconferências se passando por auditores fiscais, para enganar os clientes.

Escritório de Nelson Wilians afirma colaborar com as autoridades

Em nota enviada à CNN Brasil, o escritório de Nelson Wilians declarou estar colaborando com as autoridades. “O escritório recebeu o cumprimento da medida de busca e apreensão com serenidade, transparência e absoluto espírito colaborativo, mantendo-se à disposição das autoridades competentes e atuando de forma proativa para o completo esclarecimento dos fatos”, informou a nota. O espaço permanece aberto para comentários de todos os envolvidos.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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