A Universidade de São Paulo (USP) está provando que a curiosidade científica não tem idade. Com o sucesso estrondoso de “A Melhor Idade para a Ciência”, um curso gratuito que reuniu pessoas com 60 anos ou mais no Instituto de Química (IQ), a instituição reafirma seu compromisso com o letramento científico e o diálogo intergeracional. Coordenado pela professora Letícia Veloso Ribeiro Franco, do IQ-USP, a iniciativa, realizada em parceria com o renomado time de biologia sintética iGEM USP, transformou salas de aula em vibrantes espaços de troca de saberes, abordando temas atuais da pesquisa de forma acessível.
A Curiosidade Científica Não Tem Idade
O projeto nasceu da colaboração entre a professora Letícia Veloso e o iGEM USP, equipe que conquistou medalha de ouro em Paris no ano passado com ações de letramento científico. Com a experiência prévia com jovens da Fundação Casa, o time adaptou sua metodologia para o público da terceira idade, focando em microbiologia, inteligência artificial e saúde. “O principal objetivo é promover o letramento científico de pessoas com 60 anos ou mais, que podem estar mais vulneráveis à desinformação”, explica a professora Letícia. Ela destaca que o curso abordou a relevância de microrganismos como bactérias, fungos, vírus e o papel das vacinas para a saúde humana e planetária.
De Superbactérias à Inteligência Artificial: O Conteúdo dos Encontros
Estruturado em cinco módulos temáticos, o programa mergulhou em assuntos de grande relevância cotidiana. Os participantes aprenderam sobre bactérias e a crescente resistência aos antibióticos, vírus e a importância histórica das campanhas de vacinação. Outros encontros foram dedicados à ecologia dos fungos e aos riscos das micoses, além de noções básicas de inteligência artificial aplicadas ao combate às fake news. O curso culminou em uma imersão prática, com visitas guiadas aos laboratórios de pesquisa do Departamento de Bioquímica da USP, proporcionando uma experiência completa no universo científico.
Impacto Além da Sala de Aula: Combate à Desinformação e ao Etarismo
O curso não apenas forneceu conhecimento, mas também gerou um impacto social significativo. Nathan Rodrigues da Silva, doutorando do IQ-USP e um dos ministrantes, enfatizou a importância de levar o conhecimento sobre resistência bacteriana, uma das maiores crises de saúde atuais, a um público mais suscetível a infecções. Além de educar, a iniciativa combate o etarismo no ambiente acadêmico. Alexey Dodsworth de Carvalho, graduando do Instituto de Biociências (IB) da USP e professor do módulo sobre vírus e vacinas, ressaltou que o projeto preenche uma lacuna para idosos que desejam participar de atividades científicas, mas se sentem constrangidos pela diferença de idade. “Tivemos alta demanda de inscrições e a sala ficou cheia. Percebemos uma evasão baixíssima se comparada a cursos com público mais jovem”, conta Alexey, que, aos 54 anos e em sua terceira graduação, viveu na pele a importância da inclusão.
Expansão e Futuro: Presencial e Online
Diante do sucesso e da grande procura, a USP já confirmou a continuidade da iniciativa. Uma nova edição presencial será realizada no segundo semestre deste ano. As novidades não param por aí: para atender à demanda de interessados de todo o país, o time iGEM USP está desenvolvendo uma versão totalmente online do curso, com lançamento previsto para o segundo semestre de 2026. Essa expansão reforça o compromisso da USP com a inclusão, a convivência entre gerações e a ampliação do acesso ao conhecimento, consolidando “A Melhor Idade para a Ciência” como um marco no letramento científico brasileiro.
Fonte: jornal.usp.br
