A primeira edição do seminário Sempre Vivas, um encontro que reuniu pesquisadores, estudantes e parceiros em torno de discussões cruciais sobre mulheres e territórios, já tem seu registro audiovisual disponível no YouTube. Realizado em 13 de maio de 2026, no prédio da FAU Maranhão, em Higienópolis, São Paulo, o evento foi uma iniciativa de destaque coordenada pelas professoras Marianne Sallum, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/Guarulhos – EFLCH), e Renata Martins, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU) da USP. O seminário serviu como um espaço para aprofundar discussões relacionadas a dois Projetos Jovem Pesquisador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e uma segunda edição já está prevista para novembro deste ano.
Um Encontro Interdisciplinar e Abrangente
A proposta central do Sempre Vivas foi fomentar uma reflexão coletiva e interdisciplinar, dialogando com diversas pesquisas em andamento que permeiam a arqueologia, artes, memória, território, arquitetura e histórias de resistência. O encontro deu especial atenção às trajetórias e saberes de mulheres em diferentes contextos, com foco nas regiões da Amazônia e de São Paulo. A iniciativa foi promovida pelos grupos Arqueologia do Gênero, da Persistência e da Libertação (ARGPEL) e Laboratório de Estudos Arqueológicos (LEA) da Unifesp/EFLCH, em conjunto com o Barroco-Açu: A América Portuguesa na Geografia Artística do Sul Global e o Laboratório Abya Yala da FAU-USP.
Projetos que Inspiram e Transformam
Os projetos liderados pelas docentes formaram o cerne do seminário. A professora Marianne Sallum dedica-se a novas interpretações sobre as estratégias de persistência de mulheres em São Paulo, estabelecendo comparações com práticas similares no Equador e nos Estados Unidos. Por sua vez, a professora Renata Martins coordena o projeto Jovem Pesquisador Fase 2, Barroco-Açu, através do Mulheres e Artes Núcleo de Investigação Solidária e Ética (Manis), que integra o Labya-Yala Laboratório de Estudos Decoloniais da FAU-USP. Este projeto explora uma nova linha de pesquisa sobre histórias das artes, arquiteturas e territórios nas Américas, sob uma perspectiva decolonial e antirracista, com as Amazônias como eixo central, abrangendo docência, extensão e atividades como as Quintas Ameríndias.
A Voz das Organizadoras e a Visão de Futuro
Durante o seminário, foram apresentados diversos projetos da fase 2 do Jovem Pesquisador Fapesp Barroco-Açu, buscando aproximar pesquisadores e representantes de comunidades envolvidas em discussões sobre mulheres, artes, arqueologia e arquitetura. A professora Marianne Sallum destacou a importância da parceria: “O projeto da Renata tem dez anos e o meu tem um ano e meio. Para mim e para meus estudantes, foi importante ter essa inspiração do que pode ser feito e que projetos podemos fazer em parceria, e que caminhos o meu projeto pode seguir inspirado no que a Renata está fazendo, ou tem feito”.
A professora Renata Martins enfatizou que o Sempre Vivas nasceu do desejo de compartilhar pesquisas, preocupações e apoiar ações relacionadas às histórias e memórias de “reexistência” de mulheres. “Queremos e lutamos para que nós e nossas companheiras permaneçam sempre vivas na universidade, nas pesquisas, nas comunidades tradicionais, nos nossos bairros e cidades liderando projetos conjuntos, cuidando e apoiando com sensibilidade, amabilidade e respeito às mulheres em maior vulnerabilidade”, declarou. A união dos projetos Jovem Pesquisador Fapesp da USP e Unifesp é vista como uma grande oportunidade para ampliar as atuações e fortalecer a colaboração. “Assim, florescemos, na união dos dois projetos, a ideia de seguirmos organizando juntas os Sempre-Vivas, amplificando nossas atuações, de forma amorosa, coletiva e colaborativa”, concluiu Martins.
O sucesso da primeira edição reforça o compromisso das instituições e pesquisadoras em dar continuidade a este importante debate, com a expectativa da segunda edição em breve, mantendo viva a discussão sobre mulheres e seus territórios.
Fonte: jornal.usp.br
