A Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da Universidade de São Paulo (USP) vive um momento de redefinição, marcado pela adequação aos novos marcos legais da extensão e pela reabertura da instituição para grandes eventos públicos. Em entrevista ao boletim Por Dentro da USP, veiculado pela Rádio USP, o pró-reitor Amâncio Jorge de Oliveira destacou a volta de atividades presenciais de grande porte, como a tradicional Feira de Profissões, e o fortalecimento de programas de serviços à comunidade fora da capital como eixos centrais de sua gestão.
Novos Marcos Legais e a Busca por uma Política Unificada
Oliveira apontou dois desafios primordiais. O primeiro, de origem externa, é a curricularização da extensão, uma exigência da legislação nacional que obriga as universidades a integrar atividades extensionistas à grade curricular dos cursos de graduação. “A gente tem sentido bastante desafio nessa implementação. É uma mudança de paradigma, portanto, com muito a ser ajustado”, afirmou. O segundo desafio é interno: a construção de uma política institucional coesa para a área. “Acho que a gente tem ações isoladas, mas não propriamente uma política”, disse o pró-reitor, que também mencionou a necessidade de atuar ativamente na restauração da infraestrutura dos espaços culturais da Universidade.
Retorno da Feira de Profissões e Ações para o Público Externo
A principal vitrine da aproximação da USP com a sociedade é a retomada dos eventos de massa. A Feira USP e as Profissões, que retorna ao formato presencial após dois anos, tem expectativa de reunir mais de 70 mil visitantes no campus Butantã. Para garantir o acesso de estudantes do interior, a Pró-Reitoria articula parcerias com secretarias de educação estaduais e municipais para o fornecimento de transporte. Além disso, as visitas monitoradas, que permitem às escolas conhecer as unidades da Universidade, já estão em curso. Paralelamente, o programa Nascente USP abriu inscrições para revelar novos talentos nas áreas de artes cênicas, visuais, audiovisual, design, música erudita e popular, e texto.
Descentralização e a Vitalidade da Extensão no Interior
A gestão tem direcionado atenção especial aos campi da USP no interior paulista. Amâncio Jorge de Oliveira relatou ter sido surpreendido pela vitalidade da extensão universitária em suas unidades durante visitas a essas regiões. Ele observou que programas consolidados há décadas, com impacto social direto em saúde, ciências exatas e outras áreas, muitas vezes não são sequer identificados como extensão pelos próprios pesquisadores, tamanha a naturalidade com que se integram à prática acadêmica local. “Tem muita pujança no interior”, resumiu o pró-reitor, assumindo o compromisso de ampliar a presença institucional da PRCEU nessas regiões. “É um compromisso desta gestão ter uma atenção equivalente ao que a gente oferece na capital para o interior”.
Fonte: jornal.usp.br
