A Revista Rasura, uma iniciativa inovadora nascida na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, está redefinindo a difusão científica e a produção colaborativa de conhecimento. Com um formato experimental que remete aos fanzines punks e uma produção totalmente digital, a publicação é idealizada pelo doutorando Rodrigo Tembiú e impulsionada por uma rede de colaboradores que se dedicam a “rasurar a História hegemônica mal contada, recontando-a com múltiplas vozes em diálogo”, conforme seu editorial. A quinta edição, por exemplo, contou com a colaboração da comunicadora Verônica Dudiman e diversas contribuições de pesquisadores latino-americanos.
Integrando a metodologia qualitativa crítica do trabalho de Tembiú, a revista envolve ativamente os sujeitos do campo na elaboração de material histórico, transformando a pesquisa em um processo vivo e participativo.
Educomunicação: O Elo entre Comunicação e Educação na USP
A Revista Rasura é um reflexo prático do campo interdisciplinar da Educomunicação, formalizado no Brasil há pouco mais de 40 anos. Essa área reúne estudo e prática para promover o diálogo entre comunicação e educação, e a Universidade de São Paulo (USP) tem sido um pilar fundamental para seu fortalecimento. Desde 1996, o Núcleo de Comunicação e Educação (NCE) da Escola de Comunicações e Artes da USP, sob a liderança do professor Ismar Soares, tem sistematizado o conceito moderno de Educomunicação. Ele a define como um componente essencial do processo educativo e um elemento de gestão de ecossistemas comunicativos abertos e democráticos, pautados por um modo dialógico de interação.
Raízes Latino-Americanas e o Legado de Paulo Freire
Embora o diálogo entre comunicação e educação seja global, a Educomunicação possui um caráter eminentemente latino-americano. Ela emerge das contradições sociais e das lutas democráticas da região, consolidando-se como um paradigma para a educação midiática, a gestão democrática da mídia e a produção de conteúdos críticos. Sua base conceitual está profundamente ancorada na “Pedagogia do Oprimido” de Paulo Freire. Nomes como os filósofos da comunicação Mario Kaplún (Argentina), criador do termo “Educomunicação”, e Jesus Martín-Barbero (Colômbia) também foram cruciais para dar corpo científico a este campo.
A Revista Rasura, assim, se posiciona como uma aposta editorial para demonstrar, na prática educomunicativa, a viabilidade de divulgar e compartilhar um vasto conjunto de conhecimentos – populares, científicos e emancipatórios – que orbitam os movimentos populares latino-americanos.
“Rasurar”: Um Contragolpe Poético e Político
O nome “Rasura” é uma metáfora poderosa. O ato de riscar e reescrever se torna um combate à violência epistêmica, onde a revista se ergue como um contragolpe poético e político. Cada texto e cada visualidade atuam contra o silenciamento e o apagamento históricos. Rasurar, neste contexto, significa afirmar – com múltiplas vozes – novas críticas e proposições que abram caminho para uma forma libertadora de pensar e construir a ciência, a cultura e a política.
A publicação aborda temas variados, incluindo cultura, educação, direitos humanos, movimentos sociais, territórios e políticas públicas. Seu objetivo é gerar e compartilhar conhecimento, estimulando a diversidade, o pensamento crítico, a colaboração e a sensibilidade.
Produção Colaborativa e Perspectivas Futuras
A Revista Rasura já está em processo de produção de sua sexta edição, com lançamento previsto para agosto de 2026. A relevância do projeto foi reconhecida na apresentação de estudantes como trabalho de conclusão do curso de extensão “Educação, Cultura e Trabalho na América Latina: História, Movimentos, Resistências e Proposições – 5ª edição – 2026”, oferecido pelo Núcleo de Avaliação Institucional da Faculdade de Educação da USP (NAI-FEUSP) em parceria com o PROLAM – Programa de Pós-Graduação Integração da América Latina.
Fonte: jornal.usp.br
