Detenção e Pedido de Extradição
As autoridades polacas autorizaram a extradição do renomado arqueólogo russo Alexander Butyagin para a Ucrânia. Butyagin é alvo de uma acusação penal por parte de Kiev, relacionada a escavações realizadas na Crimeia, península ucraniana anexada pela Rússia em 2014. A decisão de extradição foi proferida após um julgamento em Varsóvia.
Campanha de Apoio e Reações
Pouco após a detenção de Butyagin no final do ano passado, uma campanha de arrecadação de fundos foi lançada nas redes sociais para custear sua defesa legal. Veículos de comunicação russos reportaram que cientistas, colegas e cidadãos solidários ao arqueólogo reuniram mais de 60.000 dólares. Antes do veredito em Varsóvia, Butyagin expressou seu ceticismo quanto a uma decisão favorável, enquanto o Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou o processo como “absoluta arbitrariedade jurídica”, prometendo intervir para o retorno do cientista ao seu país.
Acusações e Defesa
Na Ucrânia, Butyagin pode enfrentar uma pena de até cinco anos de prisão pelas acusações que lhe são imputadas. A comunidade científica e cultural de língua russa manifestou apoio ao arqueólogo, destacando suas contribuições para a arqueologia global e sua habilidade em divulgar a história. O historiador Arseniy Vesnin, em entrevista à Radio Liberty, argumentou que o trabalho de arqueólogos está intrinsecamente ligado ao território, que pode mudar de mãos, ressaltando que as descobertas feitas pela expedição de Butyagin há duas décadas permanecem no Museu de Kerch, na Crimeia, sem terem sido retiradas pelo cientista. Vesnin fez questão de frisar que não apoia a anexação da península nem a guerra.
Contexto da Anexação e Arqueologia
Paralelamente, Tamila Tasheva, ex-representante do presidente da Ucrânia na República Autônoma da Crimeia, admitiu em 2023 que arqueólogos russos poderiam ter se apropriado indevidamente de até 80.000 artefatos através de escavações consideradas ilegais na península. O Ministério Público ucraniano qualificou a atuação de cientistas russos como uma violação do direito internacional, que proíbe regimes de ocupação de alterarem o patrimônio cultural de territórios ocupados. Segundo Kiev, a arqueologia na Crimeia tem sido utilizada como ferramenta de propaganda para legitimar a ocupação russa.
Fonte: pt.euronews.com
