A decisão de ter filhos é uma questão que ecoa frequentemente entre pacientes com imunodeficiência. Para muitos, a preocupação com a segurança da gestação e a saúde do bebê pode parecer um obstáculo intransponível. No entanto, a série ‘Minuto Saúde Imunológica’, apresentada pelo professor Pérsio Roxo Junior da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, traz clareza e esperança: na maioria dos casos, é sim possível formar uma família, desde que haja planejamento e acompanhamento médico adequado.
Tipos de Imunodeficiência e Transmissão
Antes de considerar a gestação, é crucial compreender que a imunodeficiência não é uma condição única. Existem tipos de origem genética, que podem ser herdados pelos descendentes, e outras que surgem como consequência de medicamentos, doenças autoimunes, câncer ou infecções, não apresentando risco de transmissão. Segundo o professor Pérsio Roxo Junior, essa distinção é o primeiro passo para uma avaliação médica precisa.
Planejamento Essencial para uma Gestação Segura
Para pacientes com imunodeficiência primária leve ou moderada, especialmente aqueles com a doença estável e em tratamento, uma gestação segura é totalmente viável com acompanhamento especializado. A reposição com imunoglobulina, por exemplo, é considerada segura durante a gravidez e ainda confere benefícios ao bebê, que recebe anticorpos maternos protetores. Contudo, dois pilares são fundamentais no planejamento pré-gestacional: o risco genético e o estado clínico da paciente.
O aconselhamento genético é vital para estimar a probabilidade de transmissão da doença aos filhos e discutir opções reprodutivas, especialmente em casos de imunodeficiência de origem genética ou consanguinidade entre os pais. Paralelamente, é imperativo que a doença esteja controlada antes da gravidez, com estabilidade de infecções recorrentes, inflamações crônicas e complicações pulmonares. A gestação impõe uma sobrecarga fisiológica, tornando o planejamento uma etapa indispensável.
Fertilidade Masculina e Suporte Multiprofissional
No caso dos homens com imunodeficiência, a fertilidade geralmente permanece preservada, permitindo que tenham filhos normalmente. Exceções são raras e associadas a síndromes genéticas complexas ou tratamentos agressivos anteriores, como quimioterapia. Independentemente do gênero, a decisão reprodutiva deve ser sempre amparada por uma equipe multiprofissional. Imunologistas, obstetras especializados em gestações de alto risco e, quando necessário, geneticistas trabalham em conjunto para garantir o melhor desfecho para a família.
Com um diagnóstico correto, tratamento adequado e um planejamento cuidadoso, pessoas com imunodeficiência podem realizar o sonho de formar uma família, vivenciando a maternidade e a paternidade de forma plena e segura. A série ‘Minuto Saúde Imunológica’ segue democratizando o conhecimento sobre imunidade, oferecendo informações claras e confiáveis para todos os públicos.
Fonte: jornal.usp.br
