Zelensky na Cúpula do G7: Ucrânia busca convencer Trump de que Rússia está em desvantagem e pede apoio europeu para acordo com Irã
Líder ucraniano espera impressionar Donald Trump com o avanço militar e econômico de Kiev, enquanto líderes europeus alertam sobre riscos de um acordo superficial com Teerã.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, chegou à Cúpula do G7 nesta terça-feira (16), em Évian-les-Bains, na França, com o objetivo de reforçar o apoio internacional à sua nação. Uma das principais metas de Zelensky é convencer o líder americano, Donald Trump, de que a Ucrânia está ganhando terreno na guerra contra a Rússia, apresentando sinais de que Moscou estaria em uma posição defensiva. A chegada de Zelensky foi marcada por um encontro com o anfitrião do evento, o presidente francês Emmanuel Macron.
Donald Trump, que chegou à França na segunda-feira (15), demonstrou otimismo com um acordo preliminar para encerrar o conflito com o Irã, com a formalização prevista para sexta-feira (19). O líder americano declarou que, após essa questão, seu foco se voltaria para a Ucrânia, indicando que tanto Zelensky quanto o presidente russo Vladimir Putin teriam sinalizado disposição para alcançar um acordo. “Acredito que ambos estão abertos a isso”, afirmou Trump.
Europa e Ucrânia trabalham para mudar a perspectiva de Trump
Diplomatas europeus e o próprio Zelensky buscam influenciar a opinião de Trump. A estratégia é demonstrar que as posições americanas anteriores sobre os termos de um eventual acordo eram excessivamente favoráveis a Moscou, especialmente agora que incursões de drones ucranianos teriam colocado a Rússia em uma situação de defesa. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, destacou que a Ucrânia estaria avançando e atingindo alvos em território russo, ressaltando que a “economia de guerra [russa] nunca esteve tão frágil”.
Zelensky busca novo impulso para a paz e Macron foca no Irã
Zelensky participou da primeira sessão do dia, dedicada à “Construção da paz na Ucrânia”, e teve a oportunidade de conversar separadamente com Trump e outros líderes do G7. Com as negociações de paz paralisadas, o presidente ucraniano pressiona por um novo impulso e um papel mais proeminente da Europa. Ele revelou ter se oferecido para encontrar Putin na Cúpula, mas que o líder russo não estaria pronto para negociações de paz.
Alerta europeu sobre acordo com Irã e controle do Estreito de Ormuz
Paralelamente, líderes europeus planejam alertar Trump sobre os riscos de um acordo provisório superficial com o Irã, que poderia consolidar os programas nucleares e de mísseis balísticos de Teerã. A prioridade, segundo Macron, é garantir um “acordo sólido e sério que seja finalizado”. O almoço de trabalho desta terça-feira se concentraria na reabertura segura do Estreito de Ormuz, com a possibilidade de uma missão marítima liderada por França e Reino Unido. O G7 também analisará rotas energéticas alternativas para contornar a hidrovia, que o Irã tem em grande parte fechada desde o final de fevereiro.
Aliados europeus querem protagonismo nas negociações nucleares com o Irã
A participação de líderes de Emirados Árabes Unidos, Catar e Egito nas negociações desta terça-feira visa delinear suas expectativas, sem discussões aprofundadas sobre o programa nuclear iraniano. O acordo provisório com o Irã abriria uma janela de 60 dias para negociações técnicas complexas, incluindo o destino do estoque de urânio enriquecido e o levantamento de sanções. No entanto, aliados europeus temem que uma equipe de negociação americana inexperiente não consiga garantir um acordo nuclear robusto ou abordar o programa de mísseis balísticos do Irã. França, Reino Unido e Alemanha, que foram marginalizados nos últimos meses, desejam ter um papel de destaque, lembrando suas contribuições anteriores nas negociações com o Irã, iniciadas em 2003.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
