Lagarde, do BCE, celebra acordo EUA-Irã, mas alertas sobre inflação persistem na Zona do Euro

BCE saúda trégua e impacto no petróleo

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, manifestou otimismo nesta segunda-feira (15) com o anúncio de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Segundo ela, o acordo pode facilitar a reabertura do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de energia. O pacto preliminar entre as nações já provocou uma queda nos preços do petróleo e reduziu as expectativas de novas elevações nas taxas de juros pelo BCE.

“Se essa notícia for confirmada pelos desdobramentos nos próximos dias e pela assinatura de um memorando de entendimento… é uma boa notícia. Só podemos comemorar”, declarou Lagarde à rádio France Culture. No entanto, ela ressaltou que a questão do enriquecimento de urânio ainda requer amplas discussões e um acordo final.

Mercados reagem com cautela à inflação

Investidores financeiros, que anteriormente projetavam ao menos mais dois aumentos na taxa de juros do BCE no próximo ano, ajustaram suas previsões para apenas um aumento adicional, com baixa probabilidade de um novo incremento. A decisão do BCE de aumentar as taxas de juros pela primeira vez em quase três anos na semana passada visava conter a inflação, exacerbada pelo aumento dos custos de energia devido a interrupções no fornecimento relacionadas ao conflito no Oriente Médio.

Membros do BCE apontam lentidão na recuperação

Apesar do otimismo geral com o acordo, membros do BCE expressaram cautela quanto ao impacto imediato na inflação da Zona do Euro. Joachim Nagel, presidente do Bundesbank (banco central alemão), observou que, mesmo com a reabertura do Estreito de Ormuz, levaria meses para que o fornecimento de petróleo voltasse aos níveis anteriores à guerra. “Não há alívio à vista em um futuro próximo”, afirmou Nagel, reiterando que todas as opções para a próxima reunião de política monetária, em 22 e 23 de julho, permanecem em aberto.

Peter Kazimir, presidente do banco central da Eslováquia, concordou que os danos ao fornecimento de petróleo não serão revertidos rapidamente e também não descartou um aperto monetário adicional. Martins Kazaks, do Banco da Letônia, destacou que a reposição das reservas de petróleo demandará tempo, e que as decisões futuras do BCE sobre as taxas de juros continuarão em aberto.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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