USP: Escola de Ópera da ECA Faz Montagem Inédita de ‘Dido e Enéas’ de Henry Purcell Celebrando 60 Anos da Instituição em São Paulo

A Escola de Ópera, um inovador núcleo da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, apresenta uma montagem inédita de “Dido e Enéas”, a aclamada ópera barroca do compositor inglês Henry Purcell (1659-1695). As apresentações ocorrem nos dias 15 e 16 de junho na Central Técnica de Produções Artísticas Chico Giacchieri, no Canindé, em São Paulo. Os ingressos para as duas sessões já estão esgotados, demonstrando o grande interesse do público.

Esta produção especial integra as comemorações dos 60 anos da ECA, que serão completados no dia 15 de junho, e marca a primeira grande montagem do núcleo, reforçando o compromisso da instituição com a excelência artística e a formação multidisciplinar.

A Inovadora Escola de Ópera da USP

Idealizada como um laboratório de formação e experimentação, a Escola de Ópera busca unir os diversos departamentos da ECA em um projeto artístico coletivo. “A ópera é, por excelência, uma arte interdisciplinar. Ela reúne música, teatro, literatura, artes visuais, figurino, iluminação, cenografia e produção cultural em um mesmo projeto artístico”, explica o professor Alexandre Ficarelli, chefe do Departamento de Música da ECA e idealizador do projeto.

O núcleo conta com a atuação de 55 bolsistas, estudantes de todos os departamentos da ECA e da Escola de Arte Dramática (EAD), instituição ligada à ECA. Orientados por um grupo de professores, esses alunos são responsáveis por todas as áreas que compõem o fazer operístico. Além da colaboração entre departamentos, a iniciativa conta com a participação da Orquestra de Câmara (Ocam) da ECA, promovendo um rico diálogo interdisciplinar e a produção de novos saberes dentro da Universidade.

A Leitura Contemporânea de um Clássico Barroco

Sob a direção cênica dos estudantes Pedro Matos e Julia Zilio, ambos do Departamento de Artes Cênicas da ECA, a montagem de “Dido e Enéas” busca uma leitura contemporânea da obra. Matos destaca o conceito de “obra de arte total” de Richard Wagner, ressaltando a habilidade de trabalhar em conjunto que a ópera exige. “Você vê a música pelo teatro”, afirma.

Julia Zilio explica que o desafio é trazer algo novo a uma ópera que já foi remontada diversas vezes. “Cabe a nós entender o que de novo se traz para essa montagem, como podemos fazer essa leitura hoje. É uma ópera barroca que trabalha com alegorias da época, que podemos relacionar a outras figuras”, detalha. O professor Ficarelli complementa que obras clássicas permanecem relevantes por abordarem questões humanas universais, como amor, poder, abandono e o conflito entre desejo e dever. “Cada nova montagem propõe novas leituras e interpretações, permitindo que a obra dialogue com questões contemporâneas e adquira novos significados para diferentes públicos”, diz.

Uma curiosidade da produção é a existência de dois elencos, formados pelos mesmos artistas, mas com funções diferentes. “A maioria dos solistas de uma sessão compõe o coro lírico da outra”, explica Zilio. O coro cênico, composto por alunos de Artes Cênicas e da EAD, permanece o mesmo, atuando como atores que se mesclam ou complementam o coro de cantores, mas sem cantar.

A Trágica História de Dido e Enéas

A ópera de Henry Purcell, composta em 1688 com libreto do poeta irlandês Nahum Tate, é inspirada na “Eneida” de Virgílio. A trama narra o amor trágico entre Dido, rainha de Cartago, e Enéas, herói de Troia. Unidos por liberdade criativa de Virgílio, seus destinos se entrelaçam até que Enéas abandona Dido para cumprir seu dever de fundar uma nova cidade na Itália. O abandono leva Dido ao suicídio, amaldiçoando Enéas e seus descendentes, o que miticamente justifica a inimizade eterna entre Roma e Cartago, culminando nas Guerras Púnicas.

“Trata-se de uma obra fundamental na história do repertório operístico ocidental, cuja relevância artística e histórica se alia a um grande potencial pedagógico”, afirma Ficarelli. A escolha de “Dido e Enéas” para a primeira montagem da Escola de Ópera visa aliar “excelência artística e vocação formativa”, proporcionando aos estudantes contato direto com um repertório de grande importância e favorecendo processos de aprendizagem consistentes e abrangentes.

ECA: 60 Anos de Pioneirismo e Resistência

A Escola de Comunicações e Artes da USP celebra seis décadas de história no dia 15 de junho. Fundada em 1966 como Escola de Comunicações Culturais (ECC), a instituição evoluiu e se consolidou como um polo de excelência em comunicação e artes no Brasil. Ao longo de sua trajetória, a ECA também foi um importante espaço de resistência à ditadura militar, com professores como o jornalista Vladimir Herzog, que lecionou voluntariamente antes de seu assassinato pela repressão em 1975.

Atualmente, a ECA oferece 17 bacharelados, quatro licenciaturas e 12 programas de mestrado e doutorado, além de cursos de extensão. Reconhecida nacionalmente, a escola obteve destaque em rankings universitários, como o Ranking Universitário Folha (RUF), onde a graduação em Artes Visuais foi classificada em primeiro lugar, e os cursos de Jornalismo, Editoração e Relações Públicas em segundo. A montagem de “Dido e Enéas” é parte de um calendário diversificado de atividades que a ECA preparou para comemorar seus 60 anos, reforçando seu papel central na formação cultural e artística do país.

Fonte: jornal.usp.br

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