Museu do Ipiranga adota tecnologia usada pelo Coliseu de Roma para preservação do edifício histórico

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"title": "Tecnologia do Coliseu de Roma Chega ao Museu do Ipiranga: Escaneamento 3D e HBIM da USP para Preservação Inovadora do Patrimônio Histórico",
"subtitle": "Projeto liderado pela USP, em parceria com universidade italiana, utilizará escaneamento a laser tridimensional para criar um modelo digital completo e um sistema de gestão da informação, garantindo a conservação preventiva do edifício após a recente restauração.",
"content_html": "<h1>Tecnologia do Coliseu de Roma Chega ao Museu do Ipiranga: Escaneamento 3D e HBIM da USP para Preservação Inovadora do Patrimônio Histórico</h1><p>O Museu do Ipiranga, em São Paulo, está prestes a implementar uma tecnologia de ponta para a preservação de seu edifício histórico: o mesmo sistema de escaneamento a laser tridimensional utilizado no monitoramento do renomado Coliseu de Roma, na Itália. A iniciativa, que tem previsão de início em julho, foi apresentada pela professora Beatriz Kuhl, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU) da USP, durante a Fapesp Week Londres.</p><p>O ambicioso projeto visa realizar um escaneamento completo do museu, tanto interna quanto externamente. O objetivo principal é analisar o comportamento da edificação após as extensas obras de restauração concluídas recentemente, estabelecer um sistema de monitoramento contínuo e, crucialmente, desenvolver um modelo de gestão da informação para fins de conservação preventiva. Essa abordagem será baseada na metodologia HBIM (Historic Building Information Modelling), um processo de modelagem 3D que integra dados físicos, de sistemas e outros elementos em um ambiente digital tridimensional.</p><h3>A Tecnologia por Trás da Preservação</h3><p>A execução técnica do escaneamento será conduzida pelo laboratório Diaprem, da Universidade de Ferrara, na Itália, o mesmo responsável pelo recente escaneamento do Coliseu. Essa parceria não é novidade; a equipe italiana já havia realizado um escaneamento do Museu do Ipiranga antes das obras e agora retorna para registrar o estado do monumento após a restauração. A continuidade com a mesma metodologia e pontos de referência é fundamental para garantir a precisão e comparabilidade dos dados, segundo a professora Kuhl.</p><p>O equipamento portátil, do tamanho de uma caixa de sapatos, emite raios laser que mapeiam com precisão milimétrica as coordenadas geométricas de cada ponto das superfícies. Além da geometria, o scanner capta dados de refletância, que indicam a porcentagem da luz emitida que retorna ao sensor. Essa variação de refletância pode revelar anomalias como umidade ou a presença de mofo, permitindo identificar potenciais manifestações patológicas.</p><h3>HBIM: Gestão Inteligente para o Patrimônio</h3><p>A metodologia HBIM representa um avanço significativo na gestão do patrimônio. Ao criar um modelo digital integrado, é possível inserir informações detalhadas sobre as características físicas do edifício, seus sistemas e outros elementos. “A ideia é alimentar um sistema HBIM a partir de uma área piloto do museu de modo a permitir a gestão da informação para fins de conservação preventiva”, explicou Beatriz Kuhl à Agência Fapesp. Isso significa que o modelo 3D não será apenas uma representação visual, mas uma base de dados dinâmica para a manutenção e conservação.</p><h3>Monitoramento Contínuo e Sem Interrupções</h3><p>O escaneamento será realizado de forma gradual, planejada para não interferir nas atividades do museu. A pesquisadora assegura que "o museu não vai absolutamente ser fechado" para a realização dos trabalhos. Essa abordagem permite que a coleta de dados seja feita de maneira contínua, contribuindo para um acompanhamento detalhado da estrutura ao longo do tempo. Os dados gerados formarão uma densa nuvem de pontos, essencial tanto para a memória geométrica do edifício quanto para o diagnóstico precoce de problemas estruturais e de conservação.</p><h3>O Desafio da Conservação Preventiva no Brasil</h3><p>Este projeto no Museu do Ipiranga se insere em uma linha de pesquisa mais ampla desenvolvida por Beatriz Kuhl na FAU-USP, focada na conservação preventiva. O objetivo é antecipar e evitar problemas que poderiam exigir intervenções invasivas e onerosas. Embora reconheça que a cultura de manutenção preventiva do patrimônio público no Brasil ainda enfrente grandes desafios e um passivo considerável, Kuhl destaca que a pesquisa visa justamente direcionar esforços para essa finalidade.</p><p>A experiência brasileira pode se beneficiar de referências consolidadas, como a Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, que aplicou com sucesso uma política sistemática de conservação preventiva. O grupo de pesquisa da professora Kuhl também atuará na reflexão crítica sobre os métodos de diagnóstico avançado, articulando-os com questões conceituais da conservação e o planejamento de planos eficazes. Essa abordagem integrada promete uma nova perspectiva sobre a preservação de nossos valiosos monumentos históricos.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br

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