USP na Vanguarda: Empreendedorismo e Inteligência Artificial Alavancam Startups Deep Tech, Revela Série da Rádio USP com Especialistas

Uma nova série de reportagens da Rádio USP, intitulada “Cultura empreendedora com Inteligência Artificial aplicada em startups deep tech”, veiculada de 1 a 5 de junho, mergulha na trajetória e no futuro do empreendedorismo e da inovação tecnológica na Universidade de São Paulo. A produção reúne as reflexões dos renomados professores Guilherme Ary Plonski e Roseli de Deus Lopes, que dissecam a consolidação da cultura empreendedora na instituição e o impacto transformador da Inteligência Artificial (IA) no desenvolvimento de negócios de base científica.

A Evolução Histórica do Empreendedorismo na USP

Guilherme Ary Plonski, professor sênior do Instituto de Estudos Avançados (IEA) e da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP, resgata os marcos históricos que institucionalizaram a inovação na Universidade. Ele diferencia o empreendedorismo da USP, promovido pela própria instituição, do empreendedorismo na USP, que emergiu espontaneamente da comunidade acadêmica. Em sua obra “O Avanço da Inovação na USP”, publicada pela Edusp em dezembro de 2025, Plonski detalha como iniciativas como o programa Disk Tecnologia e a criação da incubadora do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) pavimentaram o caminho. Ele destaca ainda o papel das primeiras disciplinas voltadas ao tema, a ascensão das empresas juniores e o movimento estudantil que culminou na criação do Núcleo de Empreendedorismo da USP (NEU), impulsionado pelo sucesso de startups como o Buscapé. Essa trajetória, segundo Plonski, mostra como o empreendedorismo deixou de ocupar uma posição periférica para se tornar um pilar fundamental da missão universitária.

Deep Techs: Da Pesquisa Científica ao Impacto Real

Roseli de Deus Lopes, professora titular da Escola Politécnica (Poli) da USP e diretora do IEA, direciona o olhar para os desafios e oportunidades contemporâneos impulsionados pela IA e pelas startups de base científica, as chamadas deep techs. Ela explica que, diferentemente das startups convencionais que resolvem demandas cotidianas, as deep techs nascem de pesquisas científicas de longo prazo, utilizando conhecimento avançado para enfrentar problemas de alta complexidade que exigem anos de investigação e desenvolvimento. Essas empresas buscam soluções para desafios globais, gerando um impacto econômico e social significativo. A USP, com sua robusta infraestrutura, laboratórios de ponta e vasta produção acadêmica, é apresentada como um ambiente privilegiado para converter esse conhecimento científico em inovação e novos empreendimentos.

Inteligência Artificial como Catalisador da Inovação

A professora Roseli de Deus Lopes enfatiza o papel estratégico da inteligência artificial nesse cenário. Para ela, o grande diferencial da atualidade reside na combinação entre a enorme disponibilidade de dados e a capacidade de processamento, fatores que permitem criar soluções e produtos de alto valor agregado. Ao abordar a IA generativa, ela destaca seu potencial para processar grandes volumes de informação, mas alerta para a crucial importância da qualidade dos dados utilizados e da redução de vieses nos modelos. Roseli também levanta a bandeira da sustentabilidade tecnológica, defendendo o desenvolvimento de soluções que otimizem o consumo energético e ampliem a eficiência dos sistemas, visando um futuro mais responsável e alinhado aos desafios ambientais.

Colaboração Interdisciplinar e Protagonismo Brasileiro

A série também aborda a necessidade premente de aproximar a pesquisa acadêmica das demandas da sociedade. Roseli cita a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), que ela idealizou e coordena desde 2003, como um exemplo de iniciativa que estimula a curiosidade científica e o protagonismo de jovens estudantes, incentivando-os a desenvolver soluções criativas e éticas para problemas reais. Ela reforça a importância da colaboração interdisciplinar e do protagonismo brasileiro no desenvolvimento de tecnologias estratégicas, defendendo o fortalecimento de competências nacionais em hardware e software para reduzir dependências externas e consolidar um ecossistema de inovação mais robusto. Programas como o Inova USP contribuem significativamente para esse objetivo, ao conectar pesquisadores, empresas e sociedade em torno de desafios comuns, transformando o conhecimento científico em soluções concretas para os complexos problemas contemporâneos.

Fonte: jornal.usp.br

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