Como o CEM da USP e Cebrap Transforma Dados Urbanos Brutos em Ferramentas Essenciais para Pesquisas e Políticas Públicas sobre Desigualdades no Brasil

Há mais de duas décadas, o Centro de Estudos da Metrópole (CEM), sediado na Universidade de São Paulo (USP) e no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), tem sido uma vanguarda na transformação de dados urbanos em ferramentas cruciais para pesquisas e políticas públicas no Brasil. Criado em 2000 com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o CEM reúne uma equipe multidisciplinar de pesquisadores em Ciência Política, Sociologia, Geografia, Economia e Demografia para desvendar as complexidades das desigualdades urbanas e metropolitanas.

Da Coleta à Análise Profunda de Dados

O acervo do CEM, que hoje ultrapassa 380 coleções, baseia-se em grande parte nos dados brutos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), especialmente os Censos demográficos. No entanto, o trabalho do centro vai muito além da simples disponibilização. Como explica Eduardo César Marques, pesquisador e diretor do CEM e professor da USP, os dados do IBGE exigem um tratamento rigoroso: “acertos cartográficos, correções de variáveis e criação de indicadores para serem utilizados em pesquisas mais complexas”. Esse processo transforma informações “brutas” em inteligência estratégica.

A Revolução Tecnológica no Acesso aos Dados

A evolução tecnológica foi um divisor de águas para o CEM. No início dos anos 2000, o acesso às bases de dados era limitado, com informações enviadas por correio em CDs. Hoje, a realidade é outra. A ampliação do acesso à internet, o surgimento de softwares gratuitos e o avanço de ferramentas como imagens de satélite e sistemas interativos permitiram ao CEM desenvolver plataformas mais acessíveis. O GeoReDUS é um exemplo notável, permitindo que usuários sem conhecimento técnico especializado visualizem mapas, cruzem informações e compreendam padrões urbanos diretamente pela internet. “Isso alcança a grande maioria dos municípios do Brasil com informações de vários temas em nível intraurbano, como as bases censitárias e bases de saúde, educação e a base ambiental relacionadas com a questão climática”, afirma Marques.

Impacto e Aplicações Práticas

Uma das principais coleções do CEM funciona como uma referência espacial vital para estudos urbanos e a formulação de políticas públicas. A partir dela, pesquisadores conseguem cruzar dados essenciais sobre saúde, educação, mobilidade e violência com informações territoriais detalhadas, especialmente na Região Metropolitana de São Paulo. Um exemplo concreto citado pelo diretor Marques é o uso de registros de óbitos por causas externas, que se tornam insumos valiosos para estudos aprofundados sobre a violência urbana, oferecendo subsídios para intervenções mais eficazes.

Acessibilidade para Todos e o Futuro dos Dados

Embora parte do acervo exija conhecimentos em sistemas de informação geográfica, Eduardo César Marques enfatiza que o avanço tecnológico democratizou o acesso. Com softwares gratuitos, cursos online e as próprias plataformas do CEM, usuários sem formação técnica especializada podem explorar e interpretar dados territoriais complexos. Todas as bases produzidas pelo Centro de Estudos da Metrópole estão disponíveis gratuitamente pela internet, consolidando o CEM como um pilar fundamental na promoção do conhecimento e no apoio à tomada de decisões informadas para a construção de cidades mais equitativas no Brasil.

Fonte: jornal.usp.br

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