Morre Edgar Morin, o filósofo da complexidade que desafiou o pensamento fragmentado, aos 104 anos

Um Ícone do Pensamento Global Despede-se

O mundo acadêmico e intelectual está de luto com o falecimento do renomado filósofo, sociólogo e antropólogo francês Edgar Morin, aos 104 anos. A notícia, divulgada nesta sexta-feira (29), pegou muitos de surpresa, embora fontes próximas indiquem que o pensador enfrentava infecções variadas nos últimos dias. Morin, que completaria 105 anos em julho, deixou um legado inestimável com mais de 30 livros publicados, incluindo a obra seminal “Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro”, em parceria com a Unesco.

O Legado de um Pensador da Complexidade

Edgar Morin foi um defensor incansável da necessidade de pensar o mundo de forma integrada, criticando a fragmentação do conhecimento. Sua obra “Introdução ao Pensamento Complexo” tornou-se um marco, propondo uma abordagem que reconhece a interconexão e a incerteza como elementos fundamentais da realidade. Sua visão humanista e sua busca pela reconexão do saber ecoam em instituições como a Multiversidad Mundo Real Edgar Morin, com sede no México, que lamentou profundamente a perda: “Seu trabalho perdurará em cada esforço para reconectar o conhecimento, compreender a condição humana e pensar o mundo a partir de uma perspectiva integrativa”.

Uma Vida de Luta e Reflexão

Nascido em Paris em 1921, Morin não foi apenas um intelectual, mas também um participante ativo na Resistência Francesa durante a Segunda Guerra Mundial, combatendo o nazismo. Adotou o sobrenome Morin após viver na clandestinidade, tendo nascido com o nome Edgar Nahoum. Sua trajetória política também o levou a ser um crítico ferrenho do stalinismo e de todas as formas de autoritarismo. A historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz ressaltou essa dualidade: “Ele até atravessou o século que lhe foi dado viver como um cometa. Ele era filósofo, sociólogo, participou da resistência francesa durante a Segunda Guerra tendo combatido o nazismo, e, ao longo de sua trajetória intelectual e política, tornou-se também um crítico firme do stalinismo e de todas as formas autoritárias de poder.”

Repercussão no Brasil e no Mundo

No Brasil, o Centro de Estudos e Pesquisa Edgar Morin lamentou a partida de seu “querido amigo, mestre e presidente de honra”. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) também expressaram sua tristeza. Pedro Jacobi, professor do Instituto de Energia e Meio Ambiente da USP, declarou: “É uma notícia muito triste! Uma referência importante na minha vida acadêmica”. A morte de Morin representa a perda de um dos mais importantes intelectuais do século XX e XXI, cujo pensamento continua a inspirar novas gerações a buscar uma compreensão mais profunda e conectada do mundo.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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