Meloni critica UE: “Enorme burocracia que trava crescimento e sufoca iniciativa”

Meloni elogia indústria italiana e apela por menos regras europeias

Em discurso na assembleia da Confindustria, em Roma, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, teceu fortes críticas à União Europeia, classificando-a como uma “enorme burocracia que trava o crescimento” e que sufoca a iniciativa econômica. Meloni defendeu uma abordagem de “fazer menos e melhor” nas instituições europeias, apelando para que a política retome seu lugar central em detrimento da burocracia excessiva.

A chefe de governo, que discursou diante de uma plateia que incluía o Presidente da República, Sergio Mattarella, e o presidente do Senado, Ignazio La Russa, aproveitou a ocasião para elogiar a indústria italiana. “Se a Itália é universalmente reconhecida como pátria do belo, do bom e do bem feito, isso deve-se, como sempre, às nossas empresas e aos trabalhadores”, afirmou, destacando o papel fundamental da indústria italiana não apenas economicamente, mas também em termos de identidade, cultura e reputação.

Críticas ao excesso de regulamentação e ao sistema ETS

As críticas de Meloni às instituições europeias centraram-se no que ela descreveu como um “exagero” na regulamentação. “A Europa mostrou-se imparável na capacidade de multiplicar as regras sobre todos os aspetos da vida comum, mas foi míope quando se tratou de fazer ouvir a sua voz na vida global”, declarou a primeira-ministra.

Segundo Meloni, a simplificação e a agilização dos processos administrativos são cruciais para relançar o investimento e as oportunidades de crescimento. Ela argumentou que, se a liberdade é a regra, tudo o que não é expressamente proibido em nome de um interesse superior deve ser permitido sem entraves que, em sua visão, “sufocam a iniciativa económica”.

Um dos pontos de discórdia destacados foi o sistema de comércio de licenças de emissão de CO2 (ETS). Meloni classificou-o como um “imposto paradoxal” e defendeu sua suspensão. O presidente da Confindustria, Emanuele Orsini, ecoou a preocupação, alertando que a perda da indústria italiana, que representa 15% do PIB e milhões de empregos, é um risco real caso não haja um esforço comum para reformar mecanismos como o ETS, cujos tempos de revisão na Europa são considerados longos demais.

Propostas para o futuro: nuclear civil e defesa

Diante desse cenário, Meloni propôs um “estaleiro comum” com a Confindustria para uma reforma conjunta da burocracia na Itália. Além disso, reafirmou o compromisso do governo em relançar a energia nuclear civil com o uso de reatores modulares, prometendo a aprovação dos decretos necessários até o verão. “Não tenho dúvidas de que é um objetivo ao nosso alcance e importante para a nossa competitividade. Estou muito determinada neste ponto”, enfatizou.

No campo da defesa, Meloni defendeu a necessidade de a Itália fortalecer suas capacidades. “Se não sabemos defender-nos, se pedimos a outros que garantam a nossa segurança, pagaremos isso em termos de autonomia e de capacidade de defender os nossos interesses nacionais”, alertou, mesmo reconhecendo a impopularidade do tema no país, mas ressaltando a importância de um líder dizer a verdade aos cidadãos.

Fonte: pt.euronews.com

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