Geopolítica e Custo Elevado Pressionam Cadeia Global de Fertilizantes
A comercialização de fertilizantes no Brasil enfrenta um atraso significativo, impulsionado por tensões geopolíticas globais e pela disparada nos preços de matérias-primas essenciais. Conflitos recentes envolvendo Rússia, Ucrânia e o Oriente Médio impactam diretamente o mercado internacional, uma vez que essas regiões respondem por uma parcela considerável (30% a 40%) da produção mundial de NPK (nitrogênio, fósforo e potássio). Para o Brasil, altamente dependente de importações, o cenário se traduz em aumento de custos, desafios logísticos e pressão sobre as margens dos produtores rurais.
“Em cinco ou seis anos, as tensões geopolíticas têm escalado. Começou com Rússia e Ucrânia e agora no Oriente Médio”, aponta um executivo do setor, que também destaca que o atraso nas aquisições gera um efeito cascata em portos, transporte e armazenamento, especialmente no Centro-Oeste, principal polo produtor do país.
Produtores Rurais Buscam Eficiência e Redução de Custos
Diante do cenário de alta nos custos, os produtores brasileiros têm intensificado a realização de análises de solo mais detalhadas. O objetivo é identificar precisamente quais nutrientes são necessários e onde é possível reduzir gastos, impulsionando o interesse por fósforo (P2O5) e por soluções biológicas que complementem os fertilizantes tradicionais. Essa busca por maior eficiência, embora não diminua a dependência de importações, pode aumentar a competitividade do agronegócio nacional.
Empresas do setor respondem a essa demanda investindo em agricultura de precisão, plataformas digitais e soluções biológicas que visam otimizar o uso de nutrientes no campo. Um exemplo é o lançamento de linhas de produtos que combinam fertilizantes com aditivos biológicos para ativação da microbiota do solo. Além disso, o monitoramento da cadeia de suprimentos e o pré-posicionamento de estoques têm sido intensificados para mitigar riscos de abastecimento.
Enxofre e Crédito: Novos Desafios para o Agronegócio
Agravando o cenário, o preço do enxofre, matéria-prima crucial para fertilizantes fosfatados, disparou. O insumo, que historicamente custava cerca de um terço do valor do MAP (fosfato monoamônico), chegou a ultrapassar o próprio preço do fertilizante. A alta é atribuída não apenas aos conflitos geopolíticos e dificuldades logísticas, mas também à crescente demanda da indústria de transição energética, utilizada na produção de níquel, baterias e carros elétricos.
Paralelamente, a restrição no acesso ao crédito rural tem limitado as compras. Juros elevados e a volatilidade nos preços das commodities reduzem o poder de compra de parte dos produtores, levando a um cenário onde alguns bolsões de demanda podem ficar sem acesso aos produtos necessários, com o mercado já observando um aumento no número de recuperações judiciais.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
