Peixe-leão invasor avança pela costa brasileira: ameaça à biodiversidade e alerta para autoridades

Expansão preocupante no litoral brasileiro

Uma espécie de peixe venenoso, o peixe-leão, está se espalhando de forma alarmante pela costa brasileira, representando uma séria ameaça à rica biodiversidade marinha do país. Acredita-se que a transição do Caribe para o litoral brasileiro tenha ocorrido através do sistema de recifes da Grande Amazônia. Pesquisadores alertam que a espécie já invadiu ilhas oceânicas, manguezais, pradarias marinhas, naufrágios e recifes rasos ao longo da costa nacional.

O impacto na cadeia alimentar e espécies nativas

A principal preocupação dos cientistas reside na capacidade do peixe-leão de se reproduzir rapidamente e em grande volume, além de ser venenoso. Essas características podem devastar a cadeia alimentar nativa, afetando especialmente espécies endêmicas. Peixes criptobênticos, que desempenham um papel vital na produtividade dos ecossistemas recifais, estão entre os mais vulneráveis. A pesquisa identificou pelo menos 29 espécies de peixes endêmicos que correm risco de predação pelo peixe-leão invasor.

Falta de dados e políticas públicas dificultam o controle

Apesar de reconhecerem os danos causados pelo peixe-leão, os estudiosos apontam para a carência de dados suficientes que auxiliem na adaptação e gestão dessa invasão. Essa lacuna é atribuída à falta de políticas governamentais robustas e de apoio financeiro dedicado à pesquisa e ao manejo da espécie invasora. A rápida disseminação do peixe-leão ressalta a necessidade urgente de estratégias de gestão coordenadas em toda a bacia do Oceano Atlântico.

Áreas Marinhas Protegidas sob ameaça

Entre 2020 e 2024, um total de 18 Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) já foram afetadas pela presença do peixe-leão. Essas áreas incluem diferentes categorias de conservação, como unidades de uso sustentável, parques marinhos, reserva biológica e reservas de pesca artesanal. A projeção é que, nos próximos 10 anos, a espécie possa se distribuir por cerca de 60% das AMPs brasileiras, intensificando a necessidade de ações de controle.

Orientação para captura e manuseio

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em Fernando de Noronha reforça que o peixe-leão possui espinhos venenosos. Por essa razão, a captura e o manuseio da espécie devem ser realizados com extremo cuidado e, idealmente, em contato com as autoridades ambientais competentes, como o próprio ICMBio. A colaboração e a conscientização são essenciais para mitigar os impactos dessa invasão marinha.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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