Proteção Infantil Online: Especialistas Defendem Nova Classificação de Plataformas Digitais para Blindar Crianças de Conteúdos Nocivos
A medida, que ganha força com o avanço do ECA Digital, é vista como essencial para garantir a segurança de menores na internet, afastando a ideia de censura e focando no cuidado.
Especialistas em saúde mental e educação estão unindo forças para pedir uma nova e urgente classificação indicativa para plataformas digitais. O objetivo é proteger crianças e adolescentes da exposição precoce a conteúdos sensíveis e potencialmente prejudiciais, como tráfico de drogas, violência doméstica, abuso sexual, autolesão e bullying, que circulam livremente na internet.
Necessidade Urgente de Mediação e Celeridade
Um professor, cujo nome não foi citado na fonte, ressalta a importância de uma mediação adequada para que crianças e adolescentes possam compreender a gravidade desses temas delicados. Ele enfatiza a necessidade de o governo agir de forma célere na implementação de uma nova classificação indicativa. A urgência se justifica pela constante exposição de jovens a um ambiente digital muitas vezes desprovido de filtros e orientações.
Proteção, Não Censura: O Argumento dos Especialistas
A psicóloga Leila Tardivo, coordenadora do Laboratório de Saúde Mental e Psicologia Clínica Social da USP, categoricamente afasta a ideia de que a medida represente censura. Para ela, trata-se de uma forma de cuidado essencial diante da vulnerabilidade de menores. “Não é uma questão de censura, mas é uma questão de cuidado”, afirma. A especialista alerta que muitas crianças e adolescentes navegam sozinhos pelas redes sociais, sem a supervisão de adultos, o que os torna alvos fáceis para conteúdos perigosos, incluindo aqueles que incentivam a autolesão e valorizam o bullying.
O Papel Crucial de Pais e Educadores
Embora a regulamentação das plataformas seja fundamental, Leila Tardivo faz questão de destacar que o papel de pais e professores continua sendo indispensável. “É muito importante que os adultos orientem, ensinem e fiquem próximos de crianças e adolescentes”, reforça a psicóloga. A orientação e a presença adulta são vistas como complementos essenciais às medidas de classificação, criando uma rede de proteção mais robusta para os jovens usuários da internet.
Consenso e Avanço na Regulamentação Digital
Daniel Cara, outro especialista citado, observa que a discussão sobre a nova classificação indicativa é um reflexo de um debate mais amplo na sociedade brasileira, impulsionado pelo avanço do ECA Digital. Segundo ele, há um consenso político e social sobre a necessidade de medidas de proteção no ambiente virtual. O Brasil tem demonstrado progresso significativo neste tema, com a regulamentação avançando de maneira consistente. Como exemplo, ele cita que, no início deste ano, plataformas como TikTok e Kwai já tiveram suas classificações indicativas elevadas para 16 anos, sinalizando um caminho para futuras ações.
Fonte: jornal.usp.br
