Parkinson: Entenda os Três Pilares do Tratamento e Quando a Cirurgia é Indicada

Pilares do Tratamento para Parkinson

A doença de Parkinson é abordada por meio de três pilares fundamentais de cuidado: o tratamento não farmacológico, o farmacológico e as terapias mais avançadas, que podem incluir intervenção cirúrgica. Essa visão foi compartilhada pelas neurologistas Roberta Saba, especialista em Transtornos do Movimento e Parkinson da UNIFESP, e Rubens Cury, coordenador do Grupo de Distúrbios do Movimento e Doença de Parkinson do HCFMUSP, durante o programa Sinais Vitais.

Abordagens Farmacológicas

No que tange ao tratamento farmacológico, a Dra. Saba ressaltou a variedade de medicamentos disponíveis no Brasil. Estes se dividem em duas categorias principais: fármacos dopaminérgicos, que visam aumentar os níveis de dopamina no organismo, e os não dopaminérgicos. Entre os não dopaminérgicos, a amantadina foi destacada por seu uso em pacientes com discinesias – movimentos involuntários e repetitivos que surgem em estágios mais avançados da doença. Já os dopaminérgicos incluem agonistas dopaminérgicos, inibidores de enzimas que degradam a levodopa e a própria levodopa, considerada o padrão ouro no tratamento. A levodopa sintética, ao atingir o sistema nervoso central, converte-se em dopamina, neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos.

Quando Considerar a Cirurgia

A intervenção cirúrgica é considerada para um grupo específico de pacientes que, apesar do uso adequado de medicamentos, não alcançam uma resposta satisfatória. Esses casos são geralmente caracterizados por longos períodos de sintomas motores significativos, como lentidão, rigidez e tremores persistentes. O principal procedimento cirúrgico para Parkinson no Brasil e no mundo é a Estimulação Cerebral Profunda (DBS).

O Procedimento de Estimulação Cerebral Profunda (DBS)

O Dr. Cury detalhou o DBS como um procedimento onde neurocirurgiões implantam dois eletrodos finos, um em cada lado do cérebro, através de uma pequena abertura no crânio. Estes eletrodos são conectados a uma bateria subcutânea, geralmente posicionada no tórax, similar a um marcapasso cardíaco. Essa bateria emite impulsos elétricos para os núcleos cerebrais afetados pela doença, visando a melhora de sintomas como tremor e lentidão. Após a cirurgia, o dispositivo é programado pelo neurologista para otimizar a entrega de energia elétrica às áreas necessárias. O DBS tem demonstrado capacidade de melhorar significativamente os sintomas motores e permitir a redução da dosagem de medicamentos, incluindo o controle de discinesias.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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