Macron Inicia Viagem à África com Foco em Consolidação de Legado e Relações Anglófonas

Início da Viagem no Egito: Diálogo e Segurança no Oriente Médio

A incursão africana do presidente francês Emmanuel Macron teve início no Egito, com uma visita a Alexandria. O encontro com o líder egípcio Abdel Fattah Al-Sissi serviu para fortalecer a relação bilateral e discutir a crise no Oriente Médio. Macron também participou da inauguração do novo campus da universidade Senghor, descrito como um centro de excelência voltado para a África, e visitou a histórica Cidadela de Qaitbay. Durante a estadia, o presidente francês propôs a criação de uma «coligação marítima» de países não beligerantes para garantir a segurança e a reabertura do estreito de Ormuz.

Quênia: Cúpula «Africa Forward» e o Desafio Anglófono

O ponto alto da viagem é a cúpula «Africa Forward», em Nairóbi, Quênia. Pela primeira vez desde que assumiu a presidência em 2017, Macron co-preside um evento com líderes africanos em um país de língua inglesa. A cúpula, que reúne líderes e empresários, tem como objetivo principal o desenvolvimento econômico e os investimentos transfronteiriços. A iniciativa visa consolidar o legado de Macron a um ano do fim de seu mandato e renovar as relações de França com o continente, buscando superar o persistente sentimento antifrancês em algumas ex-colônias e a crescente influência russa e chinesa.

Desafios e Legado da Política Africana Francesa

A França busca se distanciar da estratégia «Françafrique», marcada por intervenções militares e relações opacas. Macron reconheceu abusos do período colonial, mas evitou um pedido formal de desculpas pela Argélia. A retirada das forças francesas de países como Mali, Burkina Faso e Níger, que se aproximaram da Rússia, evidencia a complexidade do cenário. Especialistas apontam que a aproximação com a África angófona é um movimento estratégico, mas o ceticismo quanto a resultados concretos persiste, com críticas à percepção de arrogância e paternalismo de Macron. A reforma do franco CFA, vista como um vestígio colonial, também é apontada como insuficiente.

Encerramento em Adis Abeba: Paz e Segurança na África

A digressão africana de Macron se encerra em Adis Abeba, Etiópia. O encontro com o primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed e o presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, além da visita à sede da União Africana na presença do secretário-geral da ONU, António Guterres, focarão no reforço das respostas conjuntas para paz e segurança no continente. A expectativa é que esta etapa consolide os esforços diplomáticos franceses em um momento de reconfiguração geopolítica na África.

Fonte: pt.euronews.com

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