Medicina da USP Ribeirão Preto Recebe Homenagem do Ministério da Saúde por Liderança em Informação Estratégica para o SUS e no “Livro Verde”

Medicina da USP Ribeirão Preto Recebe Homenagem do Ministério da Saúde por Liderança em Informação Estratégica para o SUS e no “Livro Verde”

Reconhecimento celebra os 30 anos da Rede Interagencial de Informações para a Saúde (Ripsa) e destaca a contribuição da FMRP na qualificação de dados e indicadores essenciais ao sistema.

A Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP foi solenemente homenageada pelo Ministério da Saúde. O reconhecimento é um tributo ao seu papel central na edificação e no fortalecimento da Rede Interagencial de Informações para a Saúde (Ripsa), uma iniciativa vital para aprimorar a qualidade dos dados em saúde no Brasil. Esta distinção também sublinha a participação proeminente de docentes da unidade na criação da terceira edição do “Livro Verde”, a obra “Indicadores Básicos para a Saúde no Brasil: Conceitos e Aplicações”, uma referência técnica nacional para a produção e interpretação de indicadores de saúde.

A cerimônia de homenagem ocorreu durante a 33ª Oficina de Trabalho Interagencial, realizada no final de março em Brasília. O evento integrava a programação comemorativa dos 30 anos da Ripsa, reunindo as 45 instituições-membro para discussões estratégicas sobre o avanço da informação em saúde e o planejamento de produtos técnicos cruciais para o Sistema Único de Saúde (SUS). A professora associada Janise Braga Barros Ferreira, do Departamento de Medicina Social da FMRP e representante titular da faculdade na Rede, enfatizou que “Esta publicação é resultado de um trabalho colaborativo, consensuado e comprometido com a produção e disseminação de informação em saúde”.

Contribuição Essencial ao “Livro Verde”

A nova edição do “Livro Verde” é uma compilação abrangente de indicadores, categorizados em diversas dimensões como demografia, condições socioeconômicas, mortalidade, morbidade, fatores de risco e a estrutura do sistema de saúde. A obra também oferece orientações metodológicas para uma interpretação e uso qualificado dessas informações. Sua elaboração mobilizou mais de 450 especialistas de 45 instituições brasileiras. “Esta contribuição, em parceria com outras renomadas instituições de ensino e pesquisa e organizações governamentais e não governamentais, reforça o compromisso de nossa instituição com a valorização do Sistema Único de Saúde e a transformação da situação de saúde do Brasil”, ressaltou Janise.

Atuação Técnica da FMRP na Rede RIPSA

A participação da FMRP na Ripsa se materializa através da atuação de seus representantes em diversas instâncias técnicas. A professora Janise Braga integra o Comitê de Gestão de Indicadores de Cobertura, fundamental para o aprimoramento metodológico e a validação de indicadores relacionados à cobertura de ações e serviços de saúde. Ela descreveu a experiência como “rica e intensa trabalhar com colegas de outras instituições e diferentes áreas do saber, nestes aproximadamente dois anos que resultaram na produção destes indicadores de saúde”.

Além de Janise, a técnica em informática Rosane Aparecida Monteiro também faz parte da rede, como membro do Comitê Temático Interdisciplinar de Saúde Digital, focado na discussão de temas ligados à transformação digital da saúde pública. O professor Carlos Eduardo Menezes de Rezende completa a representação institucional da FMRP, atuando como suplente e integrante do comitê. Rosane destacou a relevância do evento de lançamento: “O evento comemorativo de lançamento do Livro Verde foi emocionante e contou, além dos representantes das instituições colaborativas, com a presença da secretária de Informação e Saúde Digital, Ana Estela Haddad, e do diretor da Opas, Jarbas Barbosa, reforçando a relevância de materializar o trabalho desenvolvido pelos comitês”.

Saúde Digital e a Integração de Dados no SUS

Fundada em 1996 pelo Ministério da Saúde em cooperação com a Organização Pan-Americana da Saúde, a Ripsa tem a missão de gerar, analisar e disseminar informações que subsidiam as políticas públicas de saúde no Brasil. Rosane Aparecida Monteiro salientou a importância dos avanços tecnológicos: “Os avanços da Saúde Digital, como a implementação da Rede Nacional de Dados de Saúde e a integração progressiva de sistemas, são fundamentais para que o SUS possa ter um cenário real da situação de saúde da população”.

Ela enfatizou o papel crucial do Datasus na organização digital das informações em saúde no país, citando o mapeamento recente de 148 sistemas sob sua gestão como um avanço para a integração de dados no SUS. “A ampliação do SUS Digital, a incorporação da inteligência artificial e o crescimento da telessaúde exigirão maior padronização dos dados, interoperabilidade entre sistemas e atenção contínua à segurança da informação”, afirmou Rosane. Ela também previu que “O aprimoramento da infraestrutura de telessaúde e o monitoramento remoto geraram um volume ainda maior de dados. Os comitês da rede terão que discutir como esses novos dados serão integrados aos sistemas de informação tradicionais e como criar indicadores para avaliar a efetividade e a equidade do acesso à telessaúde”.

Desafios na Qualidade da Informação em Saúde

Apesar dos notáveis progressos, Rosane apontou que ainda existem desafios significativos, como a interoperabilidade dos sistemas e a obtenção de resultados em tempo oportuno para apoiar decisões estratégicas. Janise, por sua vez, complementou com outras dificuldades, incluindo a subnotificação de dados, registros incompletos, inconsistências regionais e a desigualdade na capacidade de análise e aplicação desses indicadores. Superar esses obstáculos é essencial para garantir um SUS cada vez mais robusto e eficaz.

Fonte: jornal.usp.br

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