Os restaurantes universitários da Universidade de São Paulo (USP), popularmente conhecidos como bandejões, são frequentemente alvo de discussões sobre sua qualidade e funcionalidade. Contudo, para o professor Mauro Bertotti, do Instituto de Química (IQ) da USP, esses espaços representam um pilar essencial para a saúde e a convivência da comunidade acadêmica. Bertotti, que faz uso regular dos bandejões, oferece uma perspectiva que equilibra a defesa da qualidade intrínseca das refeições com a necessidade de investimentos em infraestrutura.
Os Pilares da Defesa: Saúde e Economia
A escolha de Bertotti pelos bandejões não se baseia apenas na conveniência da localização ou no preço acessível – R$ 15 para docentes, funcionários, pós-doutorandos e visitantes autorizados. O professor destaca, sobretudo, o valor nutricional das refeições. Preparadas por profissionais da área, as opções são balanceadas, incluem alternativas vegetarianas e sucos, configurando uma alimentação saudável e equilibrada. Ele ressalta que, embora não se procure uma experiência gastronômica requintada, a qualidade nutricional é inegável, especialmente considerando o volume massivo de refeições e os custos reduzidos.
Desafios Operacionais e o Foco na Infraestrutura
Apesar da defesa da qualidade alimentar, Bertotti reconhece que os bandejões enfrentam desafios significativos que merecem a atenção da Reitoria e dos órgãos responsáveis. As filas, por exemplo, podem se tornar insustentáveis em dias de maior movimento ou quando o cardápio oferece pratos particularmente populares, como estrogonofe e sorvete. O ambiente interno também reflete a alta demanda, com dificuldade para encontrar assentos e problemas na climatização durante o verão. Para o professor, essas questões não comprometem a comida em si, mas a experiência do usuário, sendo passíveis de melhorias com investimentos em infraestrutura.
Higiene e a Narrativa Prejudicial
Uma das críticas mais contundentes, proveniente de estudantes, refere-se à higiene, com relatos de presença de larvas e outros materiais nas refeições. Bertotti, com sua longa experiência como usuário, afirma que tais relatos não correspondem a uma realidade sistêmica, embora não descarte a possibilidade de contaminações pontuais em um serviço que lida com volumes massivos de alimentos. Ele expressa preocupação com a forma como essas notícias são propagadas, argumentando que uma narrativa exagerada pode ser temerária. Primeiramente, desvaloriza o trabalho de funcionários dedicados. Em segundo lugar, fornece argumentos para setores que buscam deslegitimar a universidade pública, sugerindo uma negligência institucional com a saúde dos estudantes.
O Bandejão como Espaço de Convivência e Sucesso
Para ilustrar o valor dos restaurantes universitários, Bertotti cita um exemplo prático: a Fase Final da Olimpíada de Química de São Paulo (OQSP) de 2025, realizada no IQ. O evento, que recebeu mais de 600 pessoas, incluindo alunos do ensino médio e familiares, utilizou o bandejão do IQ para as refeições. A iniciativa foi um sucesso, com comentários elogiosos não apenas sobre a qualidade da comida, mas também sobre a oportunidade de convívio em um espaço que é fundamental para a experiência universitária. Anteriormente, lanches eram oferecidos, mas a demanda por uma “comida de verdade” era evidente.
Em conclusão, o professor Mauro Bertotti reforça que os bandejões universitários são uma excelente opção para a alimentação saudável da comunidade acadêmica. Ele defende que, embora haja espaço para melhorias contínuas que dependem de investimento e gestão, desqualificar agressivamente esses espaços de convívio por problemas pontuais não é justo nem produtivo. Pelo contrário, o reconhecimento de seu valor e a busca por soluções construtivas são essenciais para preservar e aprimorar esse patrimônio da vida universitária.
Fonte: jornal.usp.br
