Catadores de Reciclagem no Sudeste Têm Renda Maior: Entenda a Desigualdade Regional e o Potencial da Economia Circular no Brasil

Catadores de Reciclagem no Sudeste Têm Renda Maior: Entenda a Desigualdade Regional e o Potencial da Economia Circular no Brasil

Pesquisa revela que trabalhadores do Sudeste recebem R$ 1.447 mensais, contra R$ 1.033 no Nordeste, enquanto mulheres lideram cooperativas, evidenciando a urgência de valorizar a categoria.

Apesar de essenciais para a sustentabilidade, os trabalhadores da reciclagem no Brasil enfrentam baixa valorização e uma acentuada desigualdade regional em seus rendimentos. Uma análise dos dados do Anuário da Reciclagem de 2024 aponta que, em média, os catadores do Sudeste recebem mais do que seus colegas em outras partes do País.

O trabalho de reciclagem é um pilar da economia circular, um modelo de produção que se contrapõe ao descarte de produtos após o uso, promovendo a reutilização e a reinserção de materiais na cadeia produtiva. “Socialmente, a economia circular pode ser um impulsionador de geração de valor, emprego, renda e inclusão produtiva”, destaca Túlio Queijo de Lima, pós-doutorando em engenharia de produção e especialista no setor.

A Desigualdade Salarial Entre Regiões

A diferença salarial é notável: enquanto um catador no Sudeste ganha, em média, R$ 1.447,00 por mês, no Nordeste, essa remuneração cai para R$ 1.033,00, o menor valor registrado no Brasil. Túlio Queijo de Lima atribui essa disparidade à infraestrutura de reciclagem desequilibrada no País.

As regiões Sul e Sudeste concentram a maioria das indústrias recicladoras, e são também as que apresentam as maiores rendas médias mensais para os catadores, conforme o Anuário da Reciclagem 2024. “Quanto mais longe do centro reciclador você está, por mais intermediários aquele material precisa passar”, explica o especialista, o que impacta diretamente o valor final pago aos catadores.

O Papel Vital na Economia Circular e a Baixa Valorização

Apesar do grande potencial de exploração no Brasil, a taxa de reciclagem no País ainda é modesta, atingindo cerca de 8% dos resíduos sólidos urbanos. A falta de valorização do trabalho dos catadores é um dos principais entraves para o avanço desse setor. “Não existe e não vai existir uma economia circular justa e inclusiva no nosso país se a gente não valorizar os catadores e as catadoras de materiais passíveis de reciclagem de forma efetiva”, ressalta Lima.

Quem São os Catadores de Materiais Recicláveis?

A catação é a principal fonte de sustento para dezenas de milhares de pessoas, muitas delas em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Existem dois perfis principais: os catadores autônomos e os organizados em cooperativas.

Entre os catadores autônomos, os homens são a maioria esmagadora, representando 79,3%, segundo a pesquisa Ciclosoft 2023. No entanto, nas cooperativas, o cenário se inverte: 54,2% dos membros são mulheres, de acordo com o Anuário da Reciclagem 2024. Embora não haja uma explicação única para essa tendência, uma hipótese levantada por Lima é que “as mulheres que atuam nas cooperativas cumprem um papel de liderança, inclusive no lar, sendo gestoras de lares”.

A valorização e o reconhecimento do trabalho dos catadores são passos fundamentais para construir uma economia circular verdadeiramente justa e eficaz no Brasil, promovendo não apenas a sustentabilidade ambiental, mas também a inclusão social e econômica.

Fonte: jornal.usp.br

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