A Magia do Túnel Helicoidal de Vernante
Nos Alpes Marítimos, o vilarejo de Vernante abriga um segredo ferroviário que parece saído de um conto de fadas: um trem que, ao entrar em uma montanha, desaparece por mais de um quilômetro e reaparece significativamente mais alto, como se tivesse se “parafusado” na rocha. Essa experiência singular ocorre na histórica Ferrovia Cuneo-Ventimiglia, uma rota de 96 quilômetros que liga o Piemonte italiano à Riviera Mediterrânea.
Um Desafio de Engenharia do Século XIX
Considerada uma das obras ferroviárias mais impressionantes da Europa, a linha Cuneo-Ventimiglia ostenta 81 túneis e mais de 250 estruturas de engenharia. No entanto, o túnel helicoidal de Vernante se destaca pela sua audácia. Esculpido em granito sólido, este túnel de 1.502 metros força o trem a percorrer uma espiral completa. O resultado é um efeito visual surpreendente: os passageiros veem os trilhos por onde acabaram de passar literalmente abaixo deles. Essa manobra engenhosa permite que o trem ganhe 29,03 metros de altitude com uma inclinação constante e precisa de 20‰ (2%), um feito notável para a época, quando tecnologias como GPS ou softwares de simulação eram inexistentes.
Superando a Inclinação das Montanhas
No momento da inauguração, em 1891, os engenheiros enfrentaram o desafio de vencer a inclinação acentuada das montanhas sem comprometer a tração do trem. A solução encontrada foi brilhante: em vez de uma subida direta, o trem “dança” dentro da montanha, girando em uma espiral que imita o movimento de um parafuso. É um princípio similar ao das escadas em caracol, aplicado a uma estrutura de aço e passageiros.
Renascimento e Reconhecimento Internacional
A história da Ferrovia Cuneo-Ventimiglia não foi isenta de dificuldades. A linha foi destruída durante a Segunda Guerra Mundial e permaneceu inativa por 32 anos, sendo reativada apenas em 1979. Atualmente, a rota é reconhecida internacionalmente como uma das “viagens de trem mais bonitas do mundo”, não apenas pelo túnel em espiral, mas também por atravessar vales vertiginosos e pontes espetaculares sobre abismos alpinos. Em uma era de tecnologia avançada, a elegância e a precisão de uma obra de mais de 130 anos, construída com ferramentas rudimentares, continuam a fascinar, lembrando-nos da capacidade humana de dobrar a natureza com audácia e engenhosidade.
Fonte: jornalitalia.com
