Trump ameaça tomar Cuba “quase imediatamente” e insinua bloqueio militar com porta-aviões

Pressão militar e sanções econômicas marcam nova fase da política dos EUA para Cuba

Em um jantar privado na Flórida, o ex-presidente Donald Trump declarou sua intenção de assumir o controle de Cuba “quase imediatamente”, sugerindo um cenário de pressão militar com a presença de um porta-aviões na região. A declaração, classificada por alguns como uma mistura de ameaça e espetáculo, ecoa o estilo característico de Trump em ambientes mais informais. Ele chegou a descrever como enviaria o porta-aviões USS Abraham Lincoln para a costa cubana, na esperança de uma rendição.

Embora assessores tenham minimizado o discurso como “jocoso”, as declarações não foram feitas em um vácuo. Elas coincidem com a assinatura de um novo pacote de sanções contra a ilha pelo governo dos EUA, intensificando uma estratégia de pressão que vem sendo elaborada há meses.

Novas sanções visam setores estratégicos e isolamento financeiro

O decreto assinado por Trump visa sufocar o governo cubano, que havia convocado uma manifestação em defesa de sua soberania no início de maio. As novas medidas expandem as sanções anunciadas em janeiro, que já ameaçavam impor tarifas adicionais a países fornecedores de petróleo para Cuba. O foco atual abrange os setores de energia, mineração, defesa e serviços financeiros. Além disso, o decreto impõe restrições a bancos estrangeiros que colaboram com o governo cubano e estabelece limitações migratórias.

A reação de Cuba foi imediata e contundente. O presidente Miguel Díaz-Canel classificou o bloqueio como “genocida”, enquanto o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, denunciou as medidas como uma “punição coletiva ao povo cubano”. Rodríguez associou o anúncio à grande manifestação realizada em Havana, em frente à embaixada dos Estados Unidos, que contou com a presença de líderes cubanos.

Contexto de escalada e fragilidade energética

A atual escalada de tensões não é um evento isolado, mas sim a aceleração de uma estratégia planejada. O cenário se tornou mais delicado com a queda de apoio da Venezuela, aliada e principal fornecedora de petróleo de Havana. Trump já havia advertido Cuba sobre a interrupção do fornecimento de petróleo e recursos financeiros, caso não houvesse um acordo com Washington.

As pressões energéticas se somam às declarações sobre o porta-aviões, ao voto do Senado americano para rejeitar limites a operações militares em Cuba e às acusações de envolvimento de serviços secretos estrangeiros na ilha. Em fevereiro, Trump já havia mencionado a possibilidade de uma “tomada de posse amigável” de Cuba, sem detalhar como isso se daria no âmbito do direito internacional.

Resistência cubana em meio a um cerco internacional

Apesar da crescente tensão, alguns contatos diplomáticos entre os dois países persistem, com reuniões de alto nível ocorrendo em abril. Em resposta à pressão, Cuba mobilizou centenas de milhares de pessoas em manifestações e coletou milhões de assinaturas em defesa da soberania. No entanto, a ilha enfrenta apagões, carências e um bloqueio energético que não dá sinais de trégua.

A possibilidade de intervenção militar foi rejeitada por diversos países, incluindo a Alemanha, que defende uma solução baseada no diálogo. A comunidade internacional observa com apreensão o aperto do cerco de Washington a uma Cuba cada vez mais isolada e sob pressão econômica e diplomática.

Fonte: pt.euronews.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *