Lisboa se destaca como a região com maior potencial de ganhos salariais em Portugal
Trabalhar na capital portuguesa pode significar um acréscimo de até três salários anuais em comparação com outras regiões do país. A conclusão é da mais recente análise da Randstad Research, que evidencia a forte influência da localização geográfica no rendimento, nas horas de trabalho e nas oportunidades de progressão na carreira.
Disparidades na qualificação e salários pelo território
O estudo, baseado em dados oficiais de 2025, aponta que a região de Lisboa concentra a maior parte dos trabalhadores com ensino superior, impulsionando setores de alto valor agregado como tecnologia da informação, engenharia, saúde, biotecnologia, consultoria e indústrias criativas. Em contrapartida, regiões como o Alentejo e o Algarve apresentam maior concentração de trabalhadores com ensino secundário e pós-secundário, sugerindo um mercado focado em funções técnicas intermediárias. As Regiões Autónomas, por sua vez, mostram níveis de escolaridade mais baixos, o que se reflete nos salários inferiores, associados a funções operacionais menos remuneradas.
Lisboa lidera em remuneração média líquida
Lisboa é a única região onde o salário médio líquido ultrapassa os 1.400 euros mensais, atingindo 1.469 euros. Em contraste, no Algarve, o valor desce para 1.177 euros. As remunerações declaradas indicam que a diferença mensal entre trabalhar em Lisboa e regiões como o Baixo Alentejo pode chegar a 525 euros. Com a capital aproximando-se dos 1.800 euros e o interior do país mantendo-se abaixo dos 1.300 euros, a diferença anual pode equivaler a quase três salários adicionais.
Horas de trabalho e setores de atividade moldam a remuneração
Os salários mais elevados em Lisboa parecem estar associados a uma maior carga horária, com 21,5% dos trabalhadores ultrapassando as 40 horas semanais, o que é atribuído aos cargos de responsabilidade. No Norte, a predominância do setor industrial faz com que 59,1% dos trabalhadores cumpram entre 36 e 40 horas. Nos Açores, Madeira e Alentejo, jornadas entre 31 e 35 horas são comuns, frequentemente ligadas ao setor público ou a funções menos intensas.
Geografia como fator determinante no mercado de trabalho
Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal, destaca que o mercado de trabalho português continua condicionado pela geografia, afetando não só os salários, mas também o acesso a funções de decisão e progressão profissional. A divisão clara das atividades económicas, com a indústria dominante no Norte e Centro, o turismo no Sul e Ilhas, serviços especializados na Área Metropolitana de Lisboa e o setor público no Alentejo, contribui para essas disparidades. O desafio, segundo Roseiro, é estrutural e exige uma visão integrada para promover a coesão territorial e oportunidades mais equitativas em todo o país.
Desemprego: longa duração e dinamismo regional
O estudo também aborda as taxas de desemprego, com 36,8% dos desempregados em Portugal em situação de longa duração. Setúbal apresenta a maior taxa de desemprego geral (8%), mas o desemprego de longa duração é mais expressivo no Norte (41,7%) e Alentejo (43,5%). O Algarve e o Centro mostram mercados mais dinâmicos. O Algarve, apesar da dependência do emprego sazonal, tem baixa taxa de desemprego de longa duração, enquanto o Centro, marcado pela indústria, apresenta uma das taxas de desemprego global mais baixas (5%) e uma taxa de longa duração abaixo da média nacional (30,8%).
Fonte: pt.euronews.com
