A Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) celebra, em 20 de abril de 2026, 50 anos de existência. Fundada em 1976 na capital paulista, sua principal missão é a organização dos exames vestibulares para ingresso na Universidade de São Paulo (USP). Para marcar a data, a instituição tem promovido uma programação especial desde o ano anterior, incluindo a elaboração de um livro que aborda a evolução do Ensino Médio até 2026.
Gustavo Monaco, diretor executivo da Fuvest, reflete sobre a trajetória da fundação. “São 50 anos de sucesso, no sentido de conseguirmos manter o sigilo sobre as questões e o procedimento utilizado no vestibular de uma maneira republicana”, afirma. Ele destaca a decisão “muito corajosa” da USP, há cinco décadas, de centralizar o vestibular em uma fundação, substituindo os exames individuais de cada unidade, que eram suscetíveis a particularidades e interferências externas.
A História por Trás do Vestibular da USP
A primeira aplicação do vestibular coordenado pela Fuvest ocorreu em 1977, sob a liderança do professor José Goldemberg. A fundação surgiu da fusão de três grandes exames da época: o Mapofei (áreas de exatas), o Cescea (ciências humanas) e o Cescem (ciências da saúde). Monaco ressalta que muitas das práticas atuais são heranças das decisões tomadas por Goldemberg e os conselheiros daquele período. “Isso mostra como a Fuvest evolui, mas também mantém muitas das tradições, não porque são tradições, mas porque elas funcionam para manter esse programa bastante rígido e relevante para o País e para o Estado de São Paulo”, explica.
A Arte de Elaborar Questões e Listas Literárias
A formulação do exame é descrita por Monaco como um processo “muito artesanal”. Os avaliadores se preocupam em elaborar questões contextualizadas, que façam sentido para os candidatos e os estimulem a pensar. Enquanto as bancas das disciplinas focam no aspecto técnico, os funcionários da Fuvest garantem a parte formal, assegurando a excelência e a adequação das questões, sejam elas testes ou dissertativas.
Um dos pontos distintivos do vestibular é a lista literária de leituras obrigatórias, essencial para as questões de literatura e redação. Originalmente, as listas buscavam cobrir movimentos e gêneros textuais de forma abrangente. Contudo, a partir de 1989, houve uma mudança significativa. “Esse contexto anterior mais geral privilegiou por muitos anos os escritores, o que poderia nos fazer pensar que não existiram escritoras no passado”, comenta Monaco. Para corrigir essa distorção histórica, a Fuvest implementou um movimento de ruptura nos últimos anos, estabelecendo uma lista exclusivamente feminina por três anos, com o objetivo de, posteriormente, equilibrar a presença de homens e mulheres.
Inovações na Redação e o Futuro do Ensino Médio
A redação da Fuvest, amplamente reconhecida, é aplicada desde a criação do processo seletivo. Embora o gênero dissertativo tenha predominado nos últimos 50 anos, as décadas de 1970 e 1980 também incluíram gêneros narrativos. A prova de redação é conhecida pela frase temática que define o tema do texto. Uma inovação recente, introduzida no ano passado, permitiu que o candidato escolhesse entre os gêneros dissertativo e narrativo, utilizando o mesmo conjunto de textos de apoio.
Em vez de lançar livros sobre a própria história da Fuvest, como fez nos 30 anos, a fundação optou por um novo caminho para a celebração de meio século. A ideia, surgida de uma parceria com o professor Marcos Neira, da Faculdade de Educação e pró-reitor de Graduação, é tratar da evolução de 50 anos do Ensino Médio e como os conteúdos ensinados nas escolas foram cobrados no vestibular. O projeto aborda a evolução dos currículos, métodos pedagógicos, e a inclusão ou retirada de certos temas, visando entregar à sociedade um “manancial de estudos sobre a importância da Fuvest”.
Monaco conclui com uma metáfora sobre a relação simbiótica entre a Fuvest e o Ensino Médio. “É um processo efetivamente simbiótico, de efetiva retroalimentação”, afirma, destacando que a fundação se beneficia das evoluções do Ensino Médio, e o Ensino Médio, por sua vez, se beneficia do papel da Fuvest em “colocar a régua bastante alta”, como disse o professor Goldemberg.
Fonte: jornal.usp.br
