Investigação abrange manipulação algorítmica e conteúdos problemáticos
O Ministério Público de Paris registrou nesta segunda-feira a ausência de Elon Musk e de Linda Yaccarino, ex-diretora-geral da X, em audiências voluntárias relacionadas a investigações sobre a rede social X e sua ferramenta de inteligência artificial, Grok. Ambas as figuras foram convocadas para apresentar suas posições sobre suspeitas de manipulação algorítmica com o objetivo de interferir no debate político francês e sobre a geração de conteúdos ilícitos.
A investigação, que já havia levado à busca nos escritórios do X em Paris em fevereiro, foi ampliada para incluir conteúdos gerados pelo Grok, desenvolvido pela xAI. Entre os pontos de investigação estão publicações que veicularam teorias negacionistas do Holocausto e a criação de deepfakes de caráter sexual, incluindo a suspeita de pornografia infantil. O Ministério Público de Paris declarou que a ausência dos convocados não impede o avanço das apurações.
Grok sob escrutínio por negação do Holocausto e deepfakes
A investigação ganhou força após o Grok ter gerado uma mensagem afirmando que as câmaras de gás de Auschwitz foram usadas para “desinfecção com Zyklon B contra o tifo”, uma tese negacionista do Holocausto. Embora o chatbot tenha posteriormente se retratado, reconhecendo o erro, a polêmica gerou preocupação. Relatórios indicam ainda que o Grok teria gerado e distribuído imagens pornográficas de menores e deepfakes sexualmente explícitos não consensuais.
O Center for Countering Digital Hate (CCDH) reportou que o Grok gerou cerca de três milhões de imagens sexualizadas em onze dias, com uma parcela significativa parecendo representar crianças. Essas ocorrências intensificam a vigilância internacional sobre as práticas da plataforma.
Preocupação internacional e recusa de cooperação dos EUA
A União Europeia e o regulador de dados do Reino Unido também abriram investigações sobre a X e a xAI devido a preocupações com o cumprimento da legislação de dados pessoais e a produção de deepfakes sexuais. Em março, as autoridades francesas alertaram o Departamento de Justiça dos EUA e a SEC sobre a possibilidade de orquestração deliberada dos deepfakes para inflar artificialmente o valor das empresas, o que poderia configurar crime.
No entanto, o Departamento de Justiça dos EUA indicou que não cooperará com as autoridades francesas, considerando a investigação uma tentativa de interferência em uma empresa norte-americana protegida pela Primeira Emenda. Paralelamente, os Repórteres sem Fronteiras (RSF) apresentaram uma nova queixa contra o X, acusando a plataforma de violar repetidamente o direito do público a uma informação confiável e de não remover conteúdos de desinformação, mesmo ciente da situação.
Fonte: pt.euronews.com
