Indústria Química Europeia Pede Investigação da UE Contra Rival Chinesa por Aquisição no Reino Unido

Pressão Crescente e Queixa Formal

Produtores de produtos químicos da União Europeia estão a solicitar à Comissão Europeia que investigue o grupo chinês LB. A preocupação reside na potencial aquisição de uma fábrica no Reino Unido pelo LB Group, que, segundo as fontes, poderia ser utilizada para exportar para a UE, contornando assim os direitos antidumping impostos em janeiro de 2025. Esta medida de defesa comercial foi aplicada especificamente ao LB Group devido a importações a preços considerados baixos para o mercado europeu.

O Mecanismo de Contorno e a Concorrência Desleal

A aquisição de uma unidade de produção no Reino Unido, um país que saiu da UE em 2020, permitiria ao grupo chinês beneficiar do acordo comercial entre a UE e o Reino Unido. Desta forma, as exportações para o mercado europeu ficariam isentas das tarifas antidumping, criando uma vantagem competitiva que os produtores europeus consideram injusta. O setor químico da UE tem enfrentado uma pressão crescente devido à inundação do mercado com produtos chineses, resultado de uma capacidade de produção excedente.

A Aliança Europeia e o Regulamento de Subvenções Estrangeiras

A queixa apresentada em dezembro de 2025 foi impulsionada por uma aliança de empresas produtoras na UE, incluindo a Tronox e a Kronos (ambas sediadas nos EUA, mas com operações significativas na Europa), a Precheza (Chéquia) e a Cinkarna (Eslovénia). Estas empresas, juntas, representam aproximadamente 90% da produção de dióxido de titânio na UE. A queixa visa ativar o Regulamento relativo às subvenções estrangeiras da UE, que permite à Comissão investigar empresas extracomunitárias que beneficiem de subsídios distorcendo a concorrência em aquisições ou contratos públicos na UE. Embora o regulamento tenha sido concebido com a China em mente, esta seria a primeira aplicação fora do bloco.

Impacto no Setor e Futuro Precedente

A fábrica em questão localiza-se em Greatham, no nordeste de Inglaterra, e a Autoridade da Concorrência e dos Mercados do Reino Unido está a analisar a operação, com uma decisão esperada para maio. Caso a Comissão Europeia abra uma investigação, poderá estabelecer um precedente importante a nível global. Esta situação ocorre num momento delicado para a indústria química europeia, que, segundo o Cefic, perdeu cerca de 9% da sua capacidade de produção desde 2022, resultando na perda de 20.000 empregos diretos, evidenciando a urgência de medidas para salvaguardar a competitividade e a soberania industrial do bloco.

Fonte: pt.euronews.com

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