Líderes Europeus Unem Esforços para Garantir Navegação Livre no Estreito de Ormuz Após Anúncio de Reabertura pelo Irã

Reunião em Paris Define Próximos Passos para Salvaguardar Rota Vital

Paris – Em uma demonstração de unidade e preocupação com a estabilidade global, 49 países, muitos participando remotamente, reuniram-se em Paris sob a co-presidência do presidente francês Emmanuel Macron e do primeiro-ministro britânico Keir Starmer. O objetivo principal foi discutir e planejar uma futura operação defensiva para garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, apesar do anúncio do Irã sobre a reabertura da via marítima nesta sexta-feira. A iniciativa europeia busca se distinguir das ações americanas, que mantêm um bloqueio a portos iranianos.

EUA Mantêm Bloqueio e Discordam da Abordagem Europeia

Os Estados Unidos não aderiram à iniciativa europeia. O presidente americano Donald Trump declarou em redes sociais que o bloqueio imposto pela Marinha dos EUA aos portos iranianos permanecerá em vigor até que a “transação com o Irã esteja 100% completa”. Essa postura diverge da abordagem de França e Reino Unido, que enquadram a futura operação como neutra e separada das políticas de bloqueio de Washington. Macron expressou satisfação com o cessar-fogo entre Irã e EUA, e a trégua no Líbano, mas enfatizou a necessidade de uma reabertura total, imediata e incondicional do estreito, rejeitando qualquer tentativa de transformar a passagem em um sistema de pedágio ou restrição.

Planejamento Militar Acelerado e Contribuições Internacionais

Keir Starmer, primeiro-ministro britânico, acolheu o anúncio iraniano, mas ressaltou a necessidade de garantir que seja uma medida “duradoura e viável”. Os líderes concordaram em acelerar o planejamento militar para uma missão multinacional, com uma nova conferência militar agendada para Londres na próxima semana. Mais de uma dezena de países já se ofereceram para contribuir com recursos para a operação, que visa assegurar a navegação assim que as condições permitirem. A perturbação no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito mundial, afetou os mercados energéticos, encalhou navios e deixou milhares de marítimos presos na região.

Segurança Alimentar e Risco de Escalada Global

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, destacou em Paris que a questão transcende a energia, abordando também os fertilizantes, essenciais para a segurança alimentar global. Ela reiterou a importância de o Irã abandonar a busca por armas nucleares e demonstrou a disposição da Itália em participar de uma missão puramente defensiva, focada em garantir a segurança de navios comerciais contra ameaças como minas. O chanceler alemão, Friedrich Merz, alertou para o risco de uma “guerra global multidimensional” e indicou que a Alemanha poderia contribuir com desminagem, expressando o desejo de ver os Estados Unidos participarem da operação, em contraste com a visão francesa.

Fonte: pt.euronews.com

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