Avanço estratégico israelense precede trégua com Hezbollah
Horas antes do anúncio de um cessar-fogo com o grupo libanês Hezbollah, as Forças de Defesa de Israel (FDI) intensificaram operações para consolidar posições no sul do Líbano. Nesta quinta-feira (16), um ataque israelense destruiu a Ponte Qasmiyeh, sobre o rio Litani, que era a última ligação rodoviária entre o sul do Líbano e o restante do país. O Exército libanês informou que o ataque resultou em uma morte e dois feridos.
Domínio sobre Bint Jbeil e zona de segurança
As forças israelenses também prosseguiram com ataques para garantir o domínio sobre Bint Jbeil. A cidade, localizada em um entroncamento rodoviário estratégico, é vista como fundamental para possíveis avanços em direção ao norte do Líbano. Desde o início de março, Israel conduz uma operação militar para estabelecer uma “zona de segurança” no sul libanês, cobrindo aproximadamente um décimo do território do país, em resposta a ataques do Hezbollah.
Impacto humanitário e exigências de Netanyahu
A operação militar resultou no deslocamento de mais de um milhão de libaneses, cerca de um quinto da população, e na morte de mais de duas mil pessoas, em ataques concentrados no sul e na região metropolitana de Beirute. Em seu primeiro pronunciamento após o anúncio do cessar-fogo, mediado pelos Estados Unidos, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou ter negado um pedido do Hezbollah para a retirada das tropas israelenses. “Nestass negociações de paz, temos duas exigências fundamentais: primeiro, o desarmamento do Hezbollah; segundo, um acordo de paz sustentável – paz pela força”, declarou Netanyahu.
Busca por paz duradoura e soberania libanesa
O Hezbollah reagiu, afirmando que o cessar-fogo não pode permitir a continuidade da movimentação de tropas israelenses em território libanês e que a presença de militares de Israel no sul do país confere ao povo libanês o “direito de resistir”. O Departamento de Estado dos EUA, mediador das conversas, informou que ambos os países concordaram em iniciar negociações para uma “paz duradoura” durante a vigência da trégua. O cessar-fogo, com duração de dez dias, tem início previsto para as 18h (horário de Brasília) desta quinta-feira e se encerrará em 26 de abril. A trégua pode ser prorrogada caso o governo libanês demonstre “capacidade de afirmar a sua soberania”. Tanto Israel quanto Líbano buscam o reconhecimento mútuo de suas fronteiras e a desmilitarização do Hezbollah, com a soberania do uso da força concentrada no Exército libanês ao longo da fronteira com Israel. O atual governo libanês, liderado pelo primeiro-ministro Nawaf Salam, tem buscado desarmar o Hezbollah, apesar da resistência do grupo.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
