Leilão de Energia Vira Campo de Batalha: Âmbar, dos Irmãos Batista, Questiona Resultado e Gera Alerta no Setor Elétrico

Âmbar Questiona Leilão de Capacidade

A Âmbar Energia, braço do grupo J&F dos irmãos Batista, iniciou uma polêmica ao tentar anular parte do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026. O certame, que contratou 18,97 GW de potência com previsão de R$ 64,5 bilhões em investimentos, terminou com um deságio médio de 5,52%. Apesar do resultado positivo para a maioria das empresas, a Âmbar alega falhas no sistema do leilão que teriam impedido a apresentação de lances estratégicos. A área técnica da Aneel já rejeitou os pedidos da empresa, mas o caso segue para decisão final da diretoria colegiada.

Reação Imediata de Concorrentes e Entidades

A ação da Âmbar provocou forte reação de outras empresas e entidades do setor elétrico. A Eneva contestou as alegações da Âmbar, afirmando que a empresa “não entendeu as claras regras” do leilão. A Abraget (Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas) também se posicionou contra o pleito, enviando uma carta formal em defesa da manutenção do certame, com o documento aprovado pela maioria do conselho da entidade. Fontes do mercado, ouvidas pela CNN, veem o movimento com ceticismo, sugerindo que os problemas teriam sido operacionais da própria Âmbar.

TCU Abre Investigação sobre Possíveis Irregularidades

O caso ganhou dimensão institucional com a inclusão, pelo TCU (Tribunal de Contas da União), de uma representação do Ministério Público em sua pauta de julgamento. A representação aponta possíveis “anomalias competitivas” no leilão e pede sua suspensão. O subprocurador-geral Lucas Furtado questiona o aumento expressivo do preço-teto e menciona diretamente os recursos da Âmbar, incluindo alegações de reclassificação de usinas sem aviso prévio. Embora o TCU tenha decidido não suspender o certame, abriu uma investigação sobre possíveis irregularidades, incluindo a atuação de empresas classificadas como “geradoras de papel”.

Risco Sistêmico e Mudanças na Liderança da Âmbar

A possibilidade, ainda que remota, de anulação do leilão gera preocupação generalizada no setor elétrico, com receios de travamento de contratos, desorganização da cadeia de suprimentos e atraso na entrada de novas usinas. O Brasil enfrenta um déficit estrutural de potência, e qualquer atraso pode elevar o risco de falhas no sistema. Curiosamente, a Âmbar foi uma das principais vencedoras do leilão, com cerca de 2 GW contratados. A polêmica coincidiu com mudanças na liderança da empresa: o então CEO, Marcelo Zanatta, deixou o cargo após o leilão, sendo substituído por Aguinaldo Gomes Ramos Filho, sobrinho dos irmãos Batista.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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