Um Fenômeno Inesperado na Natureza
As abelhas-rainha possuem uma habilidade extraordinária que as diferencia do resto da colônia: a capacidade de respirar debaixo d’água. Essa adaptação crucial permite que elas sobrevivam aos rigorosos meses de inverno, um período em que suas tocas subterrâneas podem ser inundadas pelo derretimento da neve e pela chuva.
Diapausa e a Vulnerabilidade das Rainhas
Durante o inverno, as abelhas-rainha entram em um estado de dormência profunda, semelhante à hibernação, conhecido como diapausa. Este período, que pode durar de seis a nove meses, deixa as rainhas em tocas rasas e vulneráveis a inundações. Contudo, a descoberta de que elas conseguem sobreviver submersas tem intrigado cientistas e oferece novas perspectivas sobre a resiliência dos insetos.
Descoberta Acidental e Confirmação Científica
A revelação dessa capacidade notável surgiu de uma observação fortuita. Durante uma pesquisa sobre o impacto de pesticidas, a investigadora Sabrina Rondeau notou que rainhas em diapausa, mantidas em tubos com terra em um refrigerador, haviam sido submersas pela água de condensação. Para sua surpresa, as abelhas permaneceram vivas. Estudos posteriores, incluindo um publicado na revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, confirmaram que as rainhas de abelhão podem sobreviver submersas por até uma semana.
Como as Abelhas-Rainha Evitam o Afogamento?
Um novo estudo buscou desvendar os mecanismos por trás dessa sobrevivência subaquática. As rainhas em diapausa foram submetidas a condições de inundações controladas em laboratório. Os pesquisadores mediram suas taxas metabólicas e observaram as alterações fisiológicas. Foi constatado que as rainhas submersas continuavam a produzir dióxido de carbono em baixos níveis, indicando que estavam respirando. Sua taxa metabólica permaneceu estável mesmo após oito dias de submersão.
Um Sistema Energético Alternativo e a Recuperação
Além da respiração, as abelhas-rainha demonstraram recorrer a um sistema energético anaeróbio suplementar, o que resultou no acúmulo de lactato em seus organismos. Após serem retiradas das câmaras inundadas, suas taxas metabólicas aumentaram significativamente por alguns dias, permitindo a recuperação e a eliminação do lactato acumulado.
Implicações para a Sobrevivência em Ambientes Inundados
Essa capacidade fisiológica é fundamental para a resiliência das rainhas diante de condições ambientais extremas. Os pesquisadores destacam que essa adaptação pode ser crucial para a persistência de insetos terrestres em habitats propensos a inundações, especialmente em um cenário de alterações climáticas que afetam os padrões de cheias na primavera. A sobrevivência das rainhas em solos encharcados garante a continuidade das colônias na próxima estação.
Fonte: pt.euronews.com
