Volatilidade nos Preços Pressiona Empresas Aeroagrícolas
O setor aeroagrícola brasileiro enfrenta um cenário de custos cada vez mais volátil, impulsionado pela recente alta nos preços dos combustíveis de aviação. Economistas apontam para uma reversão expressiva após um período de deflação, com o preço da gasolina de aviação registrando um aumento médio de 67,3%, atingindo R$ 13,99. O querosene, essencial para cerca de 30% das aeronaves turboélice, também subiu 51,6%, chegando a R$ 8,46. Essa escalada de preços está diretamente ligada a fatores internacionais, como a alta de quase 58% no óleo de aquecimento e a instabilidade no Estreito de Ormuz, rota crucial para o petróleo mundial.
Impacto Direto nos Custos e na Produção
A pesquisa realizada com 30 empresas aeroagrícolas, concentradas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste – principais polos agrícolas do país –, revela um impacto significativo nos custos operacionais. Estima-se que os gastos com combustíveis representem entre 14% e 40% dos custos totais de produção, com uma média de 25%. Essa elevação pode se refletir diretamente no preço dos alimentos e afetar a balança comercial brasileira, considerando que o setor aeroagrícola é fundamental para a manutenção da produtividade em mais de 100 milhões de hectares no Brasil, que abriga a segunda maior frota de aviões e helicópteros agrícolas do mundo.
Etanol e Logística Terrestre: Alternativas e Desafios
Em contrapartida, o etanol tem apresentado maior estabilidade, com um aumento médio de apenas 6,9%, alcançando R$ 4,31, o que o torna uma alternativa mais previsível para as operações. No entanto, a logística terrestre, que depende do diesel para o transporte de combustíveis, insumos e equipamentos até as áreas de operação, também compõe a equação de custos, segundo o Sindag. A concentração de 83% da produção agrícola e 87% da frota aeroagrícola em apenas oito estados brasileiros evidencia a alta sensibilidade do sistema produtivo a esses aumentos.
Avanços em Biocombustíveis: O Futuro Sustentável da Aviação
Em busca de soluções sustentáveis, a Acelen Renováveis, subsidiária do fundo Mubadala Capital, firmou parceria com a europeia Finboot para escalar a rastreabilidade da macaúba, matéria-prima para a produção de biocombustíveis. O projeto visa monitorar a cadeia de produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável (HVO) a partir do óleo de macaúba. A expectativa é produzir 1 bilhão de litros desses combustíveis, explorando o potencial da macaúba, uma palmeira nativa adaptada a diversos biomas, com alta produtividade de óleo e capacidade de desenvolvimento em terras degradadas, sem competir com culturas alimentares.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
