Mercado de petróleo reage com volatilidade após anúncio de Trump
O anúncio de um cessar-fogo temporário entre os Estados Unidos e o Irã, feito pelo presidente Donald Trump, gerou uma reação imediata nos mercados globais. Em poucas horas, os preços do petróleo chegaram a cair mais de 10%, refletindo um alívio momentâneo com a suspensão das tensões na região do Estreito de Ormuz. No entanto, especialistas alertam que o cenário ainda é de pragmatismo e cautela, com os mercados acompanhando de perto os desdobramentos das negociações.
Queda expressiva nos preços do barril de petróleo
Na noite de terça-feira (7), o barril do Brent, referência internacional, registrou uma queda de quase 13,5%, negociado a US$ 94,54. O WTI (West Texas Intermediate), que baseia o mercado americano, desvalorizou cerca de 12,5%, aproximando-se de US$ 99. A última vez que o Brent havia fechado abaixo dos US$ 100 foi em 11 de março. Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), aponta que a queda pode se intensificar, mas tudo dependerá da evolução do cenário nas próximas semanas e das negociações entre as partes.
Acordo temporário e incertezas para o futuro
O cessar-fogo, anunciado por Trump como bilateral e com duração de duas semanas, visa a reabertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz. O ministro das Relações Exteriores iraniano confirmou que a passagem segura será possível mediante coordenação. Bruno Cordeiro, especialista em Inteligência de Mercado da StoneX, avalia que esse alinhamento pode impulsionar quedas mais evidentes nos preços. Contudo, ele ressalta a importância de monitorar as negociações: um acordo definitivo pode acelerar a queda dos preços, enquanto o fracasso pode levar a patamares mais elevados devido às restrições no fluxo de embarcações.
Impacto de médio prazo e a velocidade do mercado
Mesmo com a reabertura temporária do Estreito de Ormuz, o impacto no abastecimento de petróleo deve perdurar no médio prazo. Jean Paul Prates, ex-CEO da Petrobras, compara a velocidade de um navio petroleiro à de uma bicicleta, indicando que os efeitos da abertura levarão tempo para chegar ao consumidor. A tensão estrutural e a possibilidade de racionamento ou aumento de preços em alguns países asiáticos, que dependem do petróleo que passa pelo estreito, ainda geram preocupações no mercado, que pode observar novas oscilações nos próximos meses.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
