Obesidade Infantil Atinge Níveis Alarmantes e Supera Desnutrição Globalmente: Entenda os Riscos e Soluções para Crianças e Adolescentes no Brasil

A obesidade infantojuvenil alcançou um marco preocupante em 2025: pela primeira vez, superou a desnutrição entre crianças e adolescentes em idade escolar em todo o mundo, conforme dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). No Brasil, o cenário não é diferente, com projeções indicando que metade das crianças e adolescentes poderá estar acima do peso até 2035, um aumento que triplicou nas últimas duas décadas.

Eduardo Nilson, pesquisador do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP, explica que esse crescimento alarmante é resultado de um complexo conjunto de fatores, que vão muito além da responsabilidade individual.

O Ambiente Obesogênico e Seus Impulsionadores

Nilson aponta que a principal razão para o aumento nas taxas de obesidade é a combinação inadequada de alimentação e o crescente sedentarismo. “As evidências atuais indicam que o principal fator é a combinação inadequada de alimentação, especialmente o consumo elevado de alimentos ultraprocessados, que vêm substituindo alimentos in natura e minimamente processados, além de longas horas em frente a telas, aumentando o sedentarismo”, afirma o especialista.

Contudo, Nilson enfatiza que a obesidade é um problema socialmente determinado, e não se pode culpabilizar os indivíduos por um ambiente que favorece o ganho de peso. Alimentos ultraprocessados, muitas vezes mais baratos e amplamente divulgados por publicidades direcionadas a crianças e adolescentes, tornam-se a opção mais acessível. Paralelamente, muitas comunidades vivem em “desertos alimentares”, com dificuldade de acesso a alimentos saudáveis, e em locais onde a infraestrutura urbana não permite a prática de atividade física e brincadeiras ativas.

Impactos da Obesidade: Além do Peso na Balança

Os efeitos da obesidade na infância e adolescência vão muito além da saúde física. Crianças e adolescentes com excesso de peso ou obesidade têm maior probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2, asma, hipertensão, apneia do sono, problemas musculoesqueléticos e distúrbios metabólicos. Além disso, enfrentam desafios emocionais e sociais significativos, como menor autoestima, maior risco de bullying e pior desempenho escolar.

A obesidade infantil é um forte preditor de obesidade na vida adulta e de doenças crônicas não transmissíveis, como doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. As consequências podem se estender ao âmbito socioeconômico e laboral, com menor empregabilidade, redução da produtividade e salários mais baixos na vida adulta.

Estratégias para Reverter o Cenário

Para Nilson, a superação desse cenário exige a implementação de múltiplas estratégias e políticas públicas que trabalhem em conjunto para tornar hábitos saudáveis mais acessíveis e fáceis. No campo da alimentação, a orientação nutricional por si só tem impacto limitado se os alimentos saudáveis continuam caros e indisponíveis.

Entre as medidas propostas, destacam-se a tributação de ultraprocessados, subsídios para alimentos in natura e minimamente processados (principalmente os produzidos localmente), regulação da publicidade de alimentos, normas para a comercialização de alimentos nas escolas e o aprimoramento da rotulagem nutricional frontal. É crucial também aumentar o acesso a alimentos saudáveis em comunidades vulneráveis. Em paralelo, é fundamental melhorar os ambientes urbanos para estimular a atividade física e reduzir o tempo de tela em todas as faixas etárias.

Fonte: jornal.usp.br

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