Ribeirão Preto: Memorial da Resistência Madre Maurina Borges Recebe Painel da USP em Programação Histórica sobre a Ditadura de 1964

Ribeirão Preto será palco de uma importante programação dedicada à memória do golpe civil-militar de 1964. O Memorial da Resistência Madre Maurina Borges, localizado no antigo Lar Santana, na Vila Tibério, receberá nos dias 31 de março e 1º de abril o painel “Memorial em Homenagem às Vítimas da Ditadura no Campus”, cedido pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP.

A iniciativa visa reforçar o compromisso com a memória democrática e os direitos humanos, integrando a obra, instalada na unidade da USP desde setembro do ano passado, às atividades que marcam a lembrança dos 60 anos do golpe.

Programação Abrangente e Homenagens

Os eventos no Memorial da Resistência Madre Maurina Borges prometem uma imersão na história e na reflexão sobre o período da ditadura. A programação inclui a exibição de um documentário que narra a vida de Madre Maurina Borges, figura central na resistência ao regime. Haverá também o lançamento do livro “Nunca Mais”, de Camilo Vannuchi, obra que contribui para a documentação e o entendimento dos anos de chumbo.

Um dos pontos altos será a vigília em homenagem a mortos e presos políticos, um momento de profunda reverência e lembrança. Completando as atividades, uma roda de conversa trará convidados de peso, como Sônia Wright, Belisário dos Santos Júnior e Manoel Cyrillo, que compartilharão suas experiências e análises sobre o período.

O Legado de Madre Maurina e a Transformação do Espaço

O local que hoje abriga o Memorial tem uma história intrinsecamente ligada ao período da ditadura. Nos anos 1960, o prédio histórico do antigo Lar Santana funcionava como um internato feminino mantido pela Igreja Católica e dirigido por Madre Maurina Borges. Ela foi uma das muitas vítimas do regime, sendo presa, torturada e posteriormente extraditada para o México sob acusação de envolvimento com a resistência. Décadas depois, foi inocentada e pôde retornar ao Brasil.

Após o encerramento das atividades do internato em 2014, o imóvel, de propriedade da prefeitura, permaneceu abandonado e em deterioração. No ano passado, ativistas de diversas organizações políticas e sociais ocuparam o espaço, transformando-o no Memorial da Resistência Madre Maurina Borges, um símbolo vivo da luta pela memória e justiça.

Painel da USP: Símbolo de Compromisso com a Democracia

O painel da FDRP/USP que integra a programação tem sua origem no evento “Ditadura Nunca Mais”, realizado em novembro do ano passado. Esse encontro reuniu diversas unidades da USP em Ribeirão Preto, além de entidades estudantis e sindicais, em um esforço conjunto para manter viva a memória do período. A obra foi confeccionada pelo coletivo de bordadeiras Mira do Ponto, de Ribeirão Preto e região, adicionando um toque de arte e engajamento comunitário à homenagem.

Após o término da programação especial, o painel retornará ao seu espaço permanente na Faculdade de Direito de Ribeirão Preto, reafirmando o compromisso contínuo da instituição com os valores democráticos e a defesa dos direitos humanos.

Fonte: jornal.usp.br

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