Despesas da NATO em Alta e a Ambição Alemã
Em 2025, a cimeira da NATO em Haia selou um compromisso histórico: todos os 32 membros, com exceção da Espanha, concordaram em destinar anualmente 5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para a defesa até 2035. Deste montante, 3,5% seriam para despesas militares diretas e 1,5% para infraestruturas de defesa. Esta decisão reflete a crescente tensão geopolítica na Europa, impulsionada pelas ameaças da Rússia e do Irão, e atende às pressões dos Estados Unidos. O Chanceler alemão Friedrich Merz declarou em maio de 2025 o objetivo de transformar a Bundeswehr, as Forças Armadas alemãs, na principal força de defesa do continente.
Alemanha Aumenta Gastos, Mas Liderança Militar Permanece Distante
O Relatório Anual da NATO 2025 indica que a Alemanha aumentou significativamente seus gastos com defesa em relação a 2024. No ano passado, o investimento atingiu 2,39% do PIB, totalizando cerca de 95 a 100 bilhões de euros, um salto em comparação com os 2,12% (aproximadamente 90,6 bilhões de euros) de 2024. Embora este aumento coloque a Alemanha em uma posição vantajosa dentro da aliança, ela ainda não alcança os países que mais investem proporcionalmente.
Polônia Lidera Investimentos em Defesa na Europa
A Polônia desponta como a nação que mais investiu em defesa em 2025, com impressionantes 4,30% do seu PIB. Seguida de perto pela Lituânia (4,00%), Letônia (3,74%) e Estônia (3,42%), estes países demonstram um compromisso financeiro robusto com suas capacidades militares. Essa priorização se deve à sua proximidade geográfica com a Rússia e às preocupações de segurança intensificadas desde a anexação da Crimeia em 2014 e a subsequente invasão da Ucrânia. Em contraste, países como Bélgica, Canadá, Albânia, Espanha e Portugal mantiveram seus gastos em 2% do PIB, o patamar mínimo estabelecido pela NATO desde 2014.
Prioridades de Investimento: Equipamentos e Operacionalidade em Foco
A NATO recomenda que pelo menos 20% das despesas com defesa sejam destinadas à aquisição de novos equipamentos. A Alemanha, com 28,6%, supera essa meta, mas ainda fica atrás de nações como Luxemburgo (55,0%), Polônia (50,7%) e Lituânia (45,7%). A distribuição dos gastos alemães revela um foco maior na operacionalidade e manutenção (40,7% das despesas), com uma proporção menor destinada a pessoal (25,2%) e infraestruturas (4,6%). Essa estratégia difere da Polônia, que prioriza a modernização agressiva e novos sistemas, e da França, que equilibra investimento em pessoal, tecnologia e capacidade operacional. Assim, embora a Alemanha invista em prontidão, o objetivo de se tornar o exército mais forte da Europa ainda demandará um reforço significativo em poder de ataque e capacidade ofensiva.
Fonte: pt.euronews.com
