Violência e sociologia são temas da nova edição de “Estudos Avançados”

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"title": "Nova Edição de 'Estudos Avançados' da USP Mergulha em Análises Profundas sobre Violência, Sociologia e a Ascensão da Extrema Direita",
"subtitle": "Publicação do IEA-USP explora de relações do PCC com crimes a questões de gênero com Conceição Evaristo, além dos 50 anos da obra de Florestan Fernandes e a normalização da extrema direita.",
"content_html": "<h1>Nova Edição de 'Estudos Avançados' da USP Mergulha em Análises Profundas sobre Violência, Sociologia e a Ascensão da Extrema Direita</h1><h2>Publicação do IEA-USP explora de relações do PCC com crimes a questões de gênero com Conceição Evaristo, além dos 50 anos da obra de Florestan Fernandes e a normalização da extrema direita.</h2><p>A mais recente edição da revista <i>Estudos Avançados</i>, publicação quadrimestral do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, mergulha em temas cruciais da sociedade contemporânea, apresentando dois dossiês robustos sobre violência e sociologia. A edição, de número 116, que em breve estará disponível na plataforma Scielo Brazil, oferece análises aprofundadas sobre diferentes modalidades de violência, o legado de grandes pensadores brasileiros e fenômenos políticos globais.</p><h3>Violência, Dor e Sofrimento sob Análise</h3><p>O dossiê "Violência, Dor e Sofrimento" reúne 11 artigos que dissecam as complexas manifestações da violência. Entre os destaques, está o artigo "A Centralidade da Prisão nas Relações entre Crimes Violentos ao Patrimônio e o PCC", de Leonardo José Ostronoff, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP. Ostronoff explora a hipótese de que crimes patrimoniais violentos não são diretamente ordenados pelo PCC, mas executados por criminosos autônomos aliados à organização, que controla as redes criminais através do ambiente prisional. Inspirado em Michel Foucault, o autor argumenta que as prisões, ao confinar criminosos, se tornam um instrumento para o recrutamento de um "exército de delinquentes".</p><p>Outro artigo de grande relevância é "Conceição Evaristo e os Arredores de Insubmissas Lágrimas de Mulheres", da doutora em Psicologia Ianá de Souza Pereira. A autora aborda a violência sob a perspectiva histórica da mulher negra na sociedade, analisando os contos de Conceição Evaristo em "Insubmissas Lágrimas de Mulheres". Pereira destaca como a obra de Evaristo subverte estereótipos literários, oferecendo uma contranarrativa ao poder estabelecido pelo capitalismo patriarcal que, segundo a autora, "engole" as vivências subjetivas e ancestrais da mulher negra. As protagonistas, com seus nomes próprios, reforçam o "realismo corrosivo" da obra, que "funda outro mundo e politiza o cotidiano", questionando a posição de explorada imposta à mulher negra.</p><p>O dossiê inclui ainda outros artigos instigantes, como "Narcoterrorismo e Narcoestado: Genealogias, Usos Políticos e Riscos Analíticos Frente às Facções no Brasil", "Polícias em Conflito: 'Pluralismo Policial' e os Vetos a Reformas na Segurança Pública" e "No Gueto e na Favela: Duas Canções, Dois Retratos da Violência", entre outros que abordam temas como desrespeito, memória e a musealização do trágico.</p><h3>Os 50 Anos de "A Revolução Burguesa no Brasil"</h3><p>O segundo dossiê, "Sociologia", presta homenagem a um dos marcos do pensamento brasileiro: os 50 anos de "A Revolução Burguesa no Brasil", do sociólogo e professor da USP Florestan Fernandes (1920-1995). Os professores André Botelho e Antônio Brasil Jr., da UFRJ, discutem em seu artigo "A Revolução Burguesa no Brasil: 50 Anos de um Clássico Difícil" os princípios marxistas que nortearam Florestan. Eles argumentam que a recepção da obra é influenciada pelo tipo de marxismo praticado pelo autor, que via a "revolução burguesa no Brasil" como um processo impositivo e especificamente contrarrevolucionário, em contraposição a teorias de "capitalismo originário" ou "hegemonia oligárquico-imperialista".</p><p>Completam o dossiê Sociologia os artigos "Por Uma Sociologia Provocadora (de Respostas)", de Maria Aparecida de Moraes Silva, e "O que Fazer com os Clássicos da Sociologia? Diagnóstico e Prognóstico", de Carlos Eduardo Sell, enriquecendo a discussão sobre a disciplina e seus desafios contemporâneos.</p><h3>A Ascensão da Extrema Direita na França e Outras Resenhas</h3><p>Além dos dossiês, a nova edição de <i>Estudos Avançados</i> conta com a seção "Resenhas", que apresenta quatro textos críticos. Um deles, assinado pelo professor Fabio Mascaro Querido (Unicamp), analisa o livro "Des Électeurs Ordinaires: Enquête sur la Normalisation de l'Extrême Droite" (Eleitores Ordinários: Investigação sobre a Normalização da Extrema Direita), do sociólogo francês Félicien Faury, lançado em 2024. Querido explica que Faury busca compreender a ascensão da extrema direita na França, especificamente o partido Reagrupamento Nacional (RN), por meio de uma análise sociológica das experiências e contextos dos eleitores. O objetivo é identificar as lógicas que fundamentam o poder de atração do partido e como sua orientação eleitoral tem ganhado legitimidade em amplas camadas da sociedade francesa.</p><p>A seção de resenhas também inclui análises sobre obras como "Permanecer Bárbaro de Louisa Yousfi: Insurgências contra a Domesticação Civilizatória", "Propósito e Valor dos Acervos Fotográficos ao Redor do Mundo – Hoje e no Futuro" e "Razão, Técnica e (Des)Informação: os Vetores das Crises Contemporâneas", oferecendo uma visão abrangente sobre publicações recentes e relevantes.</p><p>A revista <i>Estudos Avançados</i>, número 116, com suas 304 páginas, reafirma seu papel como um importante veículo para o debate acadêmico e a compreensão dos desafios sociais, políticos e culturais do Brasil e do mundo.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br

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