O estado de São Paulo registrou o primeiro caso de sarampo em 2026, um alerta que reacende a discussão sobre a importância da vacinação. A doença, altamente contagiosa, foi confirmada em uma bebê de seis meses que não possuía histórico vacinal e importou o vírus da Bolívia, país que enfrenta surtos da enfermidade.
A menina permaneceu na Bolívia até janeiro deste ano e, após apresentar febre e manchas na pele – sintomas clássicos do sarampo –, teve o diagnóstico confirmado em 4 de março. O sarampo é conhecido por ser uma das doenças mais contagiosas, capaz de ser transmitida para 90% das pessoas próximas não imunes. Caracteriza-se por febre alta, exantema (manchas vermelhas espalhadas pelo corpo), tosse, coriza e conjuntivite, sendo transmitido principalmente pelo ar através de gotículas respiratórias. Suas complicações podem incluir infecções de ouvido, pneumonia, convulsões, lesões cerebrais e até mesmo a morte.
O Primeiro Caso e os Perigos do Sarampo
O caso da bebê de seis meses sem vacinação, que contraiu o sarampo em uma região de surto, ilustra a vulnerabilidade de indivíduos não imunizados. A doença, com sua rápida disseminação, representa um risco significativo para populações desprotegidas. Especialmente perigoso para crianças com comorbidades e adultos, o sarampo pode ter consequências mais graves nesses grupos, incluindo meningite ou encefalite, conforme alerta o médico e sanitarista Gonzalo Vecina, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP.
Brasil: Livre do Sarampo, Mas Alerta
Apesar do registro, Vecina minimiza a possibilidade de um surto generalizado no Brasil ou em São Paulo. Ele lembra que o país, após perder e reconquistar o selo de vacinação contra o sarampo, é considerado atualmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como livre da doença, devido à sua expressiva cobertura vacinal, que supera 90%. “Com essa taxa alta de vacinação é muito difícil que o vírus, quando reintroduzido, consiga encontrar pessoas desprotegidas”, afirma o especialista.
Ameaça Global e a Imunização Essencial para Adultos
A situação internacional, no entanto, é motivo de preocupação. A região das Américas perdeu o certificado de eliminação da doença no final do ano passado, e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) registrou 1.031 casos nas primeiras semanas de 2026, um aumento de 43 vezes em relação ao mesmo período de 2025. Países como Bolívia, Estados Unidos e Canadá estão enfrentando surtos.
Vecina enfatiza a importância da vacinação para adultos, especialmente aqueles que viajam para regiões com surtos. “É importante que as pessoas, adultos principalmente, quando estiverem circulando pelo mundo afora, se vacinem e estejam protegidos contra o sarampo”, aconselha.
Desigualdade Social e Vigilância nas Fronteiras
O sanitarista também aponta a desigualdade social como um fator crucial. A subnutrição e desnutrição, frequentemente associadas à desigualdade, podem agravar o quadro da doença em crianças. Em adultos, a imunodeficiência pode levar a complicações sérias.
Quanto à vigilância nas fronteiras, o Brasil, com sua alta cobertura vacinal, não precisa de medidas restritivas severas. No entanto, Vecina orienta que cidadãos que contraiam a doença no exterior se pronunciem e procurem unidades de saúde. Além disso, hospitais como o das Clínicas da USP oferecem serviços de imunoprofilaxia que podem ser realizados antes de viagens, como uma medida preventiva essencial.
Fonte: jornal.usp.br
