A trajetória de mulheres em posições de liderança e a fundamental importância da equidade de gênero na pesquisa acadêmica e tecnológica foram o foco de uma série de eventos que marcaram a semana do Dia Internacional da Mulher. A vice-reitora da Universidade de São Paulo (USP), Liedi Légi Bariani Bernucci, esteve à frente das discussões, que ocorreram entre os dias 9 e 10 de março, reunindo pesquisadores, estudantes e militares em debates sobre o papel feminino na construção de um futuro alicerçado na ciência e inovação.
Protagonismo Feminino na USP: Trajetórias e Desafios
Na segunda-feira, dia 9, a professora Liedi Bernucci integrou o evento “Mulheres geradoras de um futuro melhor”, promovido pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) e pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM). O encontro reuniu diversas professoras da USP para compartilhar suas experiências e discutir o papel das mulheres em áreas estratégicas.
No painel “Coletividade como protagonista”, a vice-reitora relembrou sua jornada na engenharia, um campo tradicionalmente dominado por homens. “Minha trajetória na engenharia começou em uma área tradicionalmente vista como masculina, nas chamadas áreas de Stem. Tive a sorte de crescer em uma família aberta às minhas escolhas”, afirmou Liedi, enfatizando a importância da liberdade de escolha desde a infância. Ela ressaltou que, apesar do avanço de mulheres na Escola Politécnica (Poli) de 4% para mais de 20% dos estudantes, ainda há um longo caminho a percorrer para a equidade. A vice-reitora, primeira mulher a dirigir a Poli em 124 anos, destacou o compromisso simbólico de abrir caminhos para outras mulheres, tornando-se uma referência e incentivando mais meninas a se sentirem pertencentes a esses espaços.
Engenharia para a Paz: Diversidade e Inclusão
No mesmo dia, Liedi Bernucci participou do encontro “Mulheres e engenharia para a paz” no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. O evento teve como objetivo traçar um panorama da rotina de mulheres em posições de liderança e evidenciar os desafios contemporâneos, inspirando futuras gerações para o equilíbrio de gênero na sociedade. A Engenharia para a Paz, um campo transdisciplinar emergente, foca no papel da inovação e tecnologia na prevenção e resolução de conflitos para um futuro sustentável.
A vice-reitora reforçou sua mensagem sobre a importância da diversidade: “Na engenharia, como em muitas áreas, as mulheres frequentemente sentem que precisam ser sempre muito boas para serem reconhecidas. Muitas vezes não se permitem errar, enquanto os homens parecem ter mais liberdade para isso.” Ela compartilhou comentários desestimulantes que ouviu no início de sua carreira, reiterando a necessidade de questionar preconceitos e a responsabilidade dos educadores em apoiar e incentivar os estudantes a seguir suas vocações, sem limitar seu potencial.
Parceria Estratégica e Liderança Feminina na Marinha do Brasil
Dando continuidade à agenda, na terça-feira, dia 10, a vice-reitora proferiu uma palestra no Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo. O objetivo foi apresentar um exemplo de liderança feminina em setores historicamente masculinos para militares e colaboradoras da instituição.
Liedi Bernucci abordou os desafios da equidade de gênero no Brasil, citando dados do Fórum Econômico Mundial que revelam um “gap invisível” persistente no topo das carreiras e no empoderamento político. “Embora o Brasil seja a 22ª maior economia do mundo, ocupamos apenas a 72ª posição no ranking de igualdade de gênero”, salientou. Ela enfatizou que a falta de diversidade não é apenas uma questão social, mas uma perda direta de inovação e competitividade para a economia nacional, exigindo a aceleração de transformações por meio de políticas públicas e ações afirmativas.
A vice-reitora também celebrou a parceria de sete décadas entre a Marinha do Brasil e a USP, destacando a colaboração em momentos críticos, como a produção de ventiladores pulmonares durante a pandemia. “Estar aqui hoje para discutir a participação feminina é dar continuidade a essa história, unindo a competência técnica da engenharia ao compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, concluiu, expressando a honra de ver mulheres ocupando espaços de decisão e demonstrando que a excelência não tem gênero.
Fonte: jornal.usp.br
