O impacto no preço dos combustíveis
A escalada do conflito no Oriente Médio, com ataques entre Estados Unidos e Irã, já acende um alerta para os preços dos combustíveis no Brasil. Especialistas preveem que o barril de petróleo pode ultrapassar a marca dos US$ 100, o que, segundo o economista Luiz Alberto Melchert, terá um reflexo direto e rápido no país, em questão de semanas.
O principal ponto de atenção é o Estreito de Ormuz, por onde escoa cerca de 20% do petróleo bruto mundial e 10% do gás natural. Com o seu fechamento devido à intensificação da guerra, a oferta global é afetada, pressionando os preços para cima. Melchert explica que, embora os contratos em vigor amenizem um choque abrupto, a renovação desses acordamentos trará os preços elevados de forma mais consistente, mesmo após o fim das hostilidades.
A Petrobras, segundo o economista, já não possui a mesma capacidade de segurar os preços nas bombas como antigamente. A venda de refinarias e da BR Distribuidora fez com que a companhia perdesse o controle total da cadeia de distribuição, o que pode levar a aumentos mais expressivos nos preços da gasolina e do diesel nas próximas semanas.
Cadeia automotiva sob pressão
Os reflexos da instabilidade no Oriente Médio não se limitam aos combustíveis. A indústria automotiva também sentirá o impacto. O plástico, componente essencial na fabricação de veículos modernos – representando cerca de 40% das peças em peso –, tem sua matéria-prima derivada do petróleo. Com o aumento do barril, o custo de produção de peças e, consequentemente, de automóveis tende a subir.
Confiança do consumidor e o dólar em xeque
No curto prazo, a confiança do consumidor brasileiro é apontada como um dos indicadores mais sensíveis ao cenário internacional. Cassio Pagliarini, sócio da Bright Consulting, avalia que a incerteza gerada pela guerra pode gerar receio e afetar as decisões de compra. Além disso, ele não descarta uma valorização moderada do dólar, que poderia interromper temporariamente a tendência de queda da moeda no Brasil.
Preocupação da indústria
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) reconhece que o conflito pode afetar a logística de algumas empresas. No entanto, o presidente da entidade, Igor Calvet, ressalta que ainda é cedo para uma avaliação aprofundada e que não há relatos de quebras significativas na cadeia de fornecimento até o momento. A indústria acompanha de perto os desdobramentos para mensurar o impacto real no setor automotivo nacional.
Fonte: quatrorodas.abril.com.br


