Ginástica para Todos: A Modalidade que Prioriza a Experimentação, a Formação Humana e a Saúde Integral sem a Pressão da Competição
Professora da USP detalha como a GPT vai além dos movimentos, promovendo inclusão, criatividade e socialização para pessoas de todas as idades e habilidades.
Longe do foco em resultados e competições, a Ginástica para Todos (GPT) desponta como uma modalidade que valoriza o processo de experimentação e a formação humana. Essa prática, que integra movimentos e conhecimentos de diversas ginásticas, é projetada para ser inclusiva, acolhendo indivíduos de todas as idades, gêneros e níveis de habilidade.
De acordo com Mariana Tsukamoto, professora do curso de Educação Física e Saúde da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH) e responsável por grupos de GPT na universidade, a modalidade oferece benefícios significativos para a socialização e o desenvolvimento humano integral.
Uma Modalidade Inclusiva e Versátil
A GPT tem como pilar central os movimentos e habilidades das ginásticas, mas se destaca por sua capacidade de incorporar elementos diversos. “Eu uso ginástica no plural, porque a gente não fala só de uma modalidade”, explica Mariana. A professora ressalta que a ginástica, historicamente, foi construída de forma muito diversa, com inúmeras possibilidades e ramificações. Na GPT, essa diversidade é ampliada com a inclusão de elementos culturais, como música, expressões corporais, artísticas e teatrais.
Essa versatilidade é um dos pontos fortes da modalidade, permitindo que os participantes transitem, explorem e criem muito mais do que em práticas competitivas. A GPT é, por natureza, uma prática agregadora, capaz de reunir pessoas com perfis corporais, habilidades e origens distintas, além de diferentes faixas etárias, em um mesmo grupo.
Saúde Integral e Formação Humana
Assim como outras atividades físicas, a GPT contribui positivamente para a saúde, mas sob um conceito ampliado. “Hoje, a gente fala muito do conceito ampliado de saúde, que não está relacionado só às questões biológicas”, afirma Mariana. Para ela, a saúde é um conceito que abrange o indivíduo de maneira integral e está intrinsecamente ligada à formação humana.
A modalidade fortalece o trabalho coletivo e a interação social, pois as ações são majoritariamente pensadas para serem desenvolvidas em grupo. Essa característica promove a socialização e contribui para o desenvolvimento de habilidades interpessoais, essenciais para a formação humana.
Liberdade Criativa Longe da Competição
Um dos aspectos mais distintivos da GPT é a ausência predominante de competições. “Predominantemente, não existem competições de GPT. Não é uma prática de caráter competitivo”, enfatiza a professora. Essa característica elimina a necessidade de comparação entre os participantes, valorizando o esforço individual e coletivo do grupo.
Embora não seja competitiva, a GPT promove eventos conhecidos como festivais. O maior deles é a Ginastrada Mundial, organizada pela Federação Internacional de Ginástica a cada quatro anos. Este evento reúne um número de participantes muito superior ao dos Jogos Olímpicos, pois todos os grupos que possuem recursos podem participar.
O Debate sobre Competições na GPT
Apesar do caráter predominantemente não competitivo, existe um evento chamado World Gym for Life, que possui um formato competitivo de GPT. No entanto, Mariana Tsukamoto expressa ressalvas sobre a existência dessa competição. “A grande estranheza é que eu acho que faz sentido ter competição na GPT, porque ela, por essência, quer outras coisas, permite muita experimentação”, argumenta a professora.
Para ela, a introdução de um fator competitivo pode minar oportunidades criativas e de formação, levando à busca por padrões que não se alinham com a ideia original da Ginástica para Todos, que é justamente a liberdade de expressão e o desenvolvimento integral sem amarras de performance.
Fonte: jornal.usp.br


