Em sua coluna desta semana, a professora Marisa Midori provocou seus ouvintes com uma pergunta instigante: “O que vale mais? Um bom livro ou um bom comprimido?”. A resposta, surpreendente para alguns, veio através da perspectiva da biblioterapeuta francesa Régine Detambel, que sugere escolher um livro para relaxar. Detambel, autora de obras como “Os Livros Tomam Conta de Nós. Por uma Biblioteca Criativa” (2015) e “Ler Para Conectar. A Biblioteca em Voz Alta” (2023), defende que o livro possui propriedades apaziguadoras que vão além do simples ato de ler.
A Perspectiva da Biblioterapia Francesa
Os ensaios de Régine Detambel, publicados pela editora Actes Sud, aprofundam-se nos métodos da biblioterapia. Em “Ler para Conectar”, a autora detalha as técnicas desenvolvidas e aplicadas em seus ateliers de formação. Seu objetivo é “potencializar os efeitos produzidos pelos leitores durante as animações, compreendendo diferentes ferramentas de expressão de si mesmos”, contextualiza Marisa Midori, expressando o desejo de ver essas obras traduzidas para o público brasileiro.
Essa abordagem ressoa com um movimento crescente que demonstra os efeitos benéficos da leitura. No entanto, o que mais chama a atenção da professora Midori é a associação da sensação de bem-estar ao livro como um todo, e não exclusivamente à leitura em si. “Talvez, hoje se leia mais do que no passado, quando não existiam os smartphones e as redes sociais. Lemos de tudo e todo o tempo. Lemos demais, pensamos demais, ativamos demais o nosso cérebro. Ficamos cansados”, reflete Midori.
Mais que Leitura: O Livro como Refúgio
Nesse cenário de constante estímulo digital, a professora argumenta que “a pausa não é a leitura. A pausa é o livro e o que o objeto livro pode nos oferecer no sentido da fuga, do refúgio, do conforto”. O livro físico emerge, assim, como um antídoto para a sobrecarga de informações e a hiperconexão, proporcionando um espaço de tranquilidade e introspecção.
O Poder Apaziguador do Objeto Físico
Em “Ler para Conectar”, Detambel compara a página de um livro a um curativo. Marisa Midori expande essa ideia, detalhando como diversos elementos do objeto livro contribuem para o bem-estar: “Não é só o papel, com sua cor, sua textura e seu barulho que nos acalma. Também a fonte e a possibilidade de grifar as palavras, de riscar as margens… os toque do livro contra a pele, o tempo do folhear, de virar de uma página para outra… tudo isso é terapêutico, segundo a autora. É um convite à paz em um mundo conectado demais”, finaliza a professora.
A coluna Bibliomania, com a professora Marisa Midori, vai ao ar quinzenalmente, às sextas-feiras, às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
Fonte: jornal.usp.br


